Mercados: resumo da semana

Os mercados alcançaram um certo alívio esta semana. O feriado da Revolução Constitucionalista de 1932 apenas no Estado de São Paulo, na terça-feira, reduziu o volume de negócios no início da semana, o que aumentou o efeito das intervenções diárias do Banco Central no mercado de câmbio. Houve queda do dólar, porém a moeda norte-americana manteve-se acima de R$ 2,80.As declarações do presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, de que há possibilidade de um acordo de transição com o Fundo Monetário (FMI) agradaram os investidores que temem uma ruptura no modelo econômico atual caso seja eleito um candidato de oposição. A confirmação do encontro entre Armínio Fraga e Aloízio Mercadante, candidato ao Senado por São Paulo e uma das principais lideranças do setor econômico do PT foi bem recebida.A sucessão presidencial continuará sendo o foco de atenções dos investidores, tendência que deve se manter até as eleições. As entrevistas dos candidatos ao Jornal Nacional, na TV Globo, aumentou as expectativas com relação ao resultado da pesquisa Ibope que está sendo apurada entre hoje e a próxima segunda-feira. As atenções estão voltadas para os candidatos do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que teve uma boa atuação no Jornal Nacional, e para Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, que teve um aumento de sete pontos porcentuais na última pesquisa Ibope, ficando com 18% e empatado tecnicamente com o candidato do PSDB, José Serra, com 17% das intenções de voto.Influência das incertezas do mercado externoA isenção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) para o mercado acionário entrará em vigor na próxima segunda-feira. Porém, ainda não se pode avaliar o impacto real sobre a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), uma vez que o cenário é de incertezas nos mercados interno e externo. Uma queda na Selic, taxa básica de juros da economia, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima semana, poderia contribuir. As apostas dividem-se entre queda de até 0,5 ponto porcentual e manutenção com viés de baixa, o que autorizaria a redução da taxa a qualquer momento. Atualmente, a Selic está em 18,5% ao ano.Há alguns indicadores positivos, como os índices de inflação - que ficaram abaixo do esperado - e a balança comercial - que acumula superávits nas últimas semanas. No ano, acumula valorização superior a US$ 3 bilhões. E, em função da queda nas importações - provocada pela alta do dólar e pela desaceleração econômica -, a meta de US$ 5 bilhões no ano voltou a ser viável.Nos Estados Unidos, as fraudes nos balanços de várias empresas causou uma crise de confiança no mercado acionário. As conseqüências são ruins para o Brasil porque a aversão dos investidores internacionais a aplicações de maior risco aumenta a dificuldade do País em captar recursos. Para piorar, as denúncias atingiram o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, e o próprio presidente George W. Bush.MercadosA estratégia de intervenções do Banco Central no câmbio teve sucesso em coibir as altas da moeda. Desde 5 de julho, o dólar comercial caiu 2,46%. Mas o saldo ainda é de uma alta de 5,56% desde 17 de junho. Esta semana, devido ao baixo volume de negócios e as intervenções do BC, sofreu uma leve queda. Assim, continua acima de R$ 2,80. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também apresentou recuperação, subindo 4,22% desde 5 de julho. Entre as ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bovespa -, as maiores altas da semana foram as preferenciais (PN, sem direito a voto) Globo Cabo (+24,48%), Tele Centro Oeste Celular Participações (+22,81%), Tele Nordeste Celular Participações (+20,24%), Telemig Celular Participações (+19,70%) e Banco do Brasil (+17,03%).Entre as maiores baixas, estão as preferenciais da Votorantin Celulose Papel PN (-7,21%), Companhia Siderúrgica Nacional ON, com direito a voto (-6,15%), Vale do Rio Doce PNA (-5,86%), Aracruz PNB (-5,66%) e Usiminas PNA (-5,20%).Nos Estados Unidos, o Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - vem apresentando sucessivas baixas desde o dia 17 de maio. Neste período, a queda acumulada é de 16,12%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - também está caindo. No mesmo período, teve queda de 21,13%. Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)1,56%--1,24%2,38%1,49%Dólar (cotação)R$ 2,861R$ 2,854R$ 2,851R$ 2,794R$ 2,881Juros (DI de seis meses)23,80%-23,50%22,75%22,35%Nasdaq (variação)-2,95%-1,74%-2,54%2,11%-0,07%Dow Jones (variação)-1,12%-1,93%-3,11%-0,14%-1,33%Dia-a-dia:Segunda-Feira (08/07)Os volumes de negócios na segunda foram baixíssimos em função do feriado do dia seguinte no Estado de São Paulo. Os investidores seguiram cautelosos, mas não houve nervosismo. Terça-Feira (09/07)O feriado em São Paulo paralisou as principais bolsas do país e o mercado praticamente não operou. Com pouquíssimos negócios, o dólar fechou a R$ 2,8540, com queda de 0,24%. Quarta-Feira (10/07)Os escândalos contábeis nos Estados Unidos apavoraram os investidores. Para piorar, o vice-presidente do país está sendo investigado por fraude contábil. As bolsas em Nova York despencaram, puxando a Bovespa. Quinta-feira (11/07)A viagem do presidente do BC aos EUA rendeu declarações de apoio do governo norte-americano e a esperança de um empréstimo para a transição. Os mercados reagiram com forte recuperação, apesar da crise de confiança que derrubou as bolsas no mundo inteiro. Sexta-feira (12/07)O clima de maior tranqüilidade gerado pelas intervenções do Banco Central (BC) no câmbio continuou na sexta-feira. Os investidores esperam agora os resultados das novas pesquisas eleitorais e a reunião do Copom, na terça e na quarta-feira.

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