Mercados: resumo da semana

Nesta semana, a perspectiva de que o Brasil chegue a um acordo de transição com o Fundo Monetário Internacional (FMI) evitou um contágio maior do País em virtude da crise que assola os mercados internacionais, conseqüência dos escândalos contábeis das empresas norte-americanas. Os rumores de que o governo negocia um acordo de transição política para tentar minimizar o impacto de uma vitória oposicionista agradaram os investidores. E a futura visita da vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger, ao Brasil na próxima semana parece sinalizar nessa direção. A esperança dos investidores é que os presidenciáveis assumam o compromisso de cumpri-lo. As pesquisas eleitorais continuam em destaque, tendência que deve prevalecer até as eleições em outubro. Um fator de apreensão é desempenho do candidato governista, José Serra que, na última pesquisa do Ibope, caiu dois pontos porcentuais - de 17% para 15% - em relação à pesquisa anterior. O resultado lhe garantiu o terceiro lugar, sete pontos porcentuais atrás do candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, que subiu de 18% para 22%. O candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, passou de 34% para 33%.Na pesquisa Vox Populli, Ciro também apareceu isolado em segundo lugar, com 24% das intenções de voto, uma diferença de dez pontos em relação ao líder, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, com 34%. O resultado apontou ainda para o declínio da candidatura de Serra. Há o temor de que haja uma ruptura na política econômica. Para acalmar os mercados, o governo tem se aproximado dos candidatos e da comunidade financeira internacional nas últimas semanas.Os mercados foram surpreendidos esta semana com a redução da Selic, taxa básica referencial de juros da economia, de 18,5% - porcentual mantido desde março - para 18% ao ano. A aposta era de manutenção dos juros, uma vez que mesmo havendo espaço para redução nas reuniões anteriores, o Comitê de Política Monetária (Copom) adotou posição mais conservadora. A flexibilização das metas de inflação está entre os fatores para a queda. Mercados internacionaisO Estados Unidos está às voltas com uma série - que parece interminável - de escândalos contábeis. O mais recente deles envolveu a AOL Time Warner. A desconfiança paira até sobre o presidente George W. Bush e seu vice Dick Cheney, que está sob investigação. Na Europa, a empresa sueca Ericsson, também contribuiu para o pessimismo, anunciando prejuízo pelo quinto trimestre consecutivo e previsão de uma queda de 15% nas vendas do setor este ano. Muitas outras empresas norte-americanas anunciaram previsão de ganhos menor em 2003.Com isso, as principais bolsas mundiais já operam em níveis mais baixos do que os registrados nos momentos mais pessimistas depois dos atentados terroristas do ano passado. O índice Dow Jones, que mede a valorização das 30 principais ações da Bolsa de Nova York, registrou hoje a maior queda do ano e a sétima maior de sua história. A crise internacional é má notícia para o Brasil. Um ambiente de desconfiança e decepção causa aversão dos investidores estrangeiros a aplicações de maior risco, o que acaba afastando-os dos países emergentes. Ou seja, mesmo que consiga minimizar o impacto da transição política, com as tensões externas, o País poderá enfrentar uma retração ainda maior nos fluxos de recursos internacionais.MercadosO dólar comercial vem oscilando desde 26 de junho em patamares acima de R$ 2,80. No ano, acumula alta de 24,39%. A crise no mercado internacional teve impacto menor que o esperado na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que, porém, acumula desvalorização de 16,00% desde 10 de junho.Entre as ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bovespa -, as maiores altas da semana foram as ordinárias (ON, com direito a voto) da Companhia Siderúrgica Nacional (+18,17%), Banco do Brasil (+10,20%), Souza Cruz (+5,70%) e as preferenciais (PN, sem direito a voto) Banco do Brasil (+6,10%) e Aracruz PNB (+5,42%).Entre as maiores baixas, estão a Embratel Participações ON (-27,39%), Embratel Participações PN (-22,28%), Tele Leste Participações PN (-16,67%), Globo Cabo PN (-13,48%), Tele Celular Sul PN (-11,24%).Nos Estados Unidos, as quedas foram significativas. O Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - teve hoje a maior queda do ano e a sétima maior de sua história. Desde 8 de julho, acumula uma desvalorização de 15,06%.No fechamento de hoje, o indicador caía cerca de 4,64%, para 8019,3 pontos, depois de bater nos 7966,7 pontos. Esse foi o nível mais baixo desde 15 de outubro de 1998. Mesmo o fundo do poço atingido no dia 21 de setembro, após os atentados terroristas nos Estados Unidos, foi superado pelo pessimismo de hoje. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - acompanhou, caindo 2,79% (1319,07 pontos). Desde 18 de junho, acumula queda de 14,50%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-3,15%-0,53%1,67%0,54%-2,12%Dólar (cotação)R$ 2,852R$ 2,872R$ 2,897R$ 2,851R$ 2,866Juros (DI de seis meses)23,00%23,25%21,65%21,00%21,12%Nasdaq (variação)0,66%-0,53%1,60%-1,56%-2,79%Dow Jones (variação)-0,52%-1,92%0,82%-1,56%-4,64%Dia-a-dia:Segunda-Feira (15/07)Em um dia nervoso no mundo inteiro, a Bovespa despencou e dólar e juros subiram com força. As principais bolsas internacionais caíram a níveis recorde em muitos anos e o euro ultrapassou a paridade com o dólar por causa da crise de confiança.Terça-Feira (16/07)As cotações do mercado mantiveram-se relativamente estáveis, e longe de indicarem qualquer otimismo. A maioria dos analistas esperava que o Copom não fosse alterar a Selic na reunião do dia seguinte e que Ciro Gomes consolidaria-se no segundo lugar na pesquisa do Ibope.Quarta-Feira (17/07)A queda da Selic, de 18,5% para 18% ao ano, surpreendeu os mercados, que reagiram à decisão com alta na Bovespa e no dólar, e queda nos juros. Na Bolsa, a fusão entre a Corus e a CSN movimentou os papéis da empresa brasileira.Quinta-feira (18/07)A confirmação de uma visita da vice do FMI ao Brasil foi interpretada como sinal de que um acordo de transição de governo pode estar sendo preparado. O corte da Selic no dia anterior sustentaria essa hipótese. Fraga e Mercadante se reuniram.Sexta-feira (19/07)A Bolsa de Nova York continuou despencando, movimento que vinha, desde 8 de julho, de níveis já relativamente baixos. Na sexta chegou a cair 5%, e o pessimismo nos EUA se alastrou pelo mundo, atingindo também os mercados brasileiros.

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