Mercados: resumo da semana

A semana foi de forte volatilidade nos mercados. O País sofreu com a disparada do dólar, que bateu novo recorde. Hoje, fechou cotado pouco acima de R$ 3,00, uma alta de 5,20% na semana e 30,86% no ano. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou forte queda e o risco Brasil atingiu um patamar pouco maior que 2.000 pontos base, ou seja, uma diferença de 20 pontos porcentuais entre títulos equivalentes do Tesouro norte-americano e do governo brasileiro. O risco-país é o principal termômetro para medir a desconfiança dos investidores sobre um país.A situação continua crítica e sem perspectiva de melhora pelo menos até as próximas semanas. As incertezas no cenário político com a possibilidade de vitória de um candidato oposicionista acentuam o pessimismo com a economia brasileira. Para os investidores, o melhor cenário seria a vitória de um candidato comprometido com a manutenção da política econômica vigente, o que não vem se confirmando nas pesquisas de intenção de voto.Por essa razão, a última pesquisa Ibope, divulgada na noite de ontem, teve impacto negativo novamente. A novidade ficou por conta do fortalecimento da candidatura de Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, que venceria o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, no segundo turno das eleições, com 47% contra 40%. Assim, torna-se ainda mais difícil uma evolução da candidatura governista de José Serra, da aliança PSDB-PMDB. A expectativa é de que o quadro mude com o início do horário eleitoral gratuito em 20 de agosto, pois Serra tem cerca de 40% do tempo na televisão e no rádio. Hoje, o pronunciamento do ministro da Fazenda, Pedro Malan, frustrou os mercados, que esperavam o anúncio de um novo pacote de ajuda ao Brasil, fechado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A visita da vice-diretora-gerente do Fundo, Anne Krueger, ao Brasil ajudou a aumentar a probabilidade de um acerto para o período de transição de governo. A divulgação da ata da última reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada, não trouxe muitas surpresas. O destaque foi que a meta de inflação para 2002 já é dada como perdida. O foco do governo são os anos de 2003 e 2004. Na última reunião, a Selic, taxa básica de juros da economia, teve uma queda de 0,5% ponto porcentual e está em 18% ao ano. Crise norte-americanaNos Estados Unidos, a crise de confiança do investidor norte-americano, que está derrubando as bolsas no mundo inteiro, continua devido às fraudes nos balanços das empresas, as investigações que recaem sobre o vice-presidente, Dick Cheney, e as denúncias contra o próprio presidente, George W. Bush. Para piorar, a WorldCom, controladora da Embratel, pediu concordata, a maior da história dos Estados Unidos. A empresa acumula dívidas de US$ 41 bilhões e admitiu há um mês que seus balanços estavam fraudados. Outras investigações de fraudes contábeis incluem a AOL Time Warner, JP Morgan e Citigroup. Com o objetivo de tentar inibir esses escândalos, a Câmara dos EUA aprovou ontem o projeto de contabilidade corporativa que prevê uma grande reforma das empresas públicas e dos auditores. Agora, precisa passar pelo Senado ser sancionado pelo presidente George W. Bush.Pode ser que a série de escândalos aumente. No dia 14 de agosto, presidentes de 945 empresas norte-americanas deverão confirmar os balanços atuais e passados, sob pena de sanção pessoal. No entanto, mesmo que os resultados sejam positivos, não há garantia de que os investidores retomem rapidamente suas posições. A expectativa, na verdade, é de recuperação lenta.A crise internacional é má notícia para o Brasil. Um ambiente de desconfiança e decepção causa aversão dos investidores estrangeiros a aplicações de maior risco, o que acaba afastando-os dos países emergentes. Ou seja, mesmo que consiga minimizar o impacto da transição política, com as tensões externas, o País poderá enfrentar uma retração ainda maior nos fluxos de recursos internacionais. MercadosO dólar comercial disparou e fechou hoje em R$ 3,0150, uma alta de 5,20% na semana e 30,86% no ano. Desde 10 de abril, acumula alta de 36,31%. A crise também resultou em forte queda na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que registrou desvalorização de 12,91% na semana e 33,56% no ano. Desde 4 de março, acumula queda de 32,99%.Das ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bovespa - , apenas três registraram alta, sendo uma delas insignificante. A ordinária (ON, com direito a voto) da Embratel Participações (+28,18%), a preferencial (PN, sem direito a voto) da Embratel Participações (+10,00%) e Tractebel Energia (+0,99%).A alta da Embratel justifica-se pela captação de um empréstimo internacional de US$ 25 milhões e da divulgação de crescimento nas receitas. A empresa tenta se desvincular da concordata da controladora WorldCom, a maior da história dos Estados Unidos.Entre as maiores baixas, estão a Globo Cabo PN (-37,66%), a Eletropaulo PN (-29,39%), a Tele Leste Celular PN (-24,00%), Banco Itaú PN (-23,95%) e Banco Bradesco PN (-23,95%).Nos Estados Unidos, as quedas nas bolsas foram significativas. Nos últimos três dias, o Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - registrou recuperação, mas acumula uma desvalorização de 10,89% desde 8 de julho. No mesmo período, a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - registrou queda de 10,21%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-6,53%-1,49%1,97%-2,74%-4,64%Dólar (cotação)R$ 2,902R$ 2,920R$ 2,946R$ 2,995R$ 3,015Juros (DI de seis meses)22,15%22,40%22,00%22,30%23,30%Nasdaq (variação)-2,77%-4,18%4,98%-3,89%1,78%Dow Jones (variação)-2,93%-1,06%6,35%-0,06%0,95%Dia-a-dia:Segunda-Feira (22/07)Os mercados no mundo inteiro tiveram um dia muito difícil, com fortes quedas. No Brasil, não foi diferente e a Bovespa despencou 6,53%. O dólar voltou a passar de R$ 2,90 e os juros também subiram.Terça-Feira (23/07)O nervosismo internacional continuou firme, levando os índices das principais bolsas de valores do mundo para níveis ainda mais baixos. Na queda livre dos mercados mundiais, o Brasil sofreu com alta recorde do dólar e com a Bovespa em baixa novamente.Quarta-Feira (24/07)Os mercados internacionais acompanharam as fortes oscilações registradas em Nova York. Mas o dólar não resistiu às altas e quedas violentas no exterior e fechou em novo recorde histórico: R$ 2,9460.Quinta-feira (25/07)Em mais um dia de oscilações extremas, o dólar voltou a disparar e ultrapassou a barreira psicológica dos R$ 3,00 no comercial para venda. Os investidores continuaram pessimistas com a crise nas bolsas dos EUA e com o desempenho de Serra nas pesquisas.Sexta-feira (26/07)Em pronunciamento durante a tarde, o ministro Pedro Malan e o presidente Fernando Henrique não anunciaram medidas concretas. O mercado não só não se acalmou, como aprofundou as perdas. Dólar e juros dispararam e a Bovespa despencou.

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