Mercados: resumo da semana

Os mercados brasileiros, que vinham observando as evoluções da corrida presidencial e respondendo a cada pesquisa eleitoral, mudaram de foco nessa semana. As atenções voltaram-se para o cenário externo, devido às preocupações com a perspectiva de guerra entre os Estados Unidos e o Iraque, com os frágeis sinais emitidos pelas principais economias mundiais e com as conseqüentes quedas das bolsas internacionalmente. A crise internacional tem efeitos negativos no fluxo de investimentos para mercados de maior risco, como o brasileiro.Na segunda-feira, o feriado em comemoração ao Dia do Trabalho nos Estados Unidos manteve os mercados fechados em Nova York e, conseqüentemente, os volumes de negócios no Brasil muito reduzidos. Mas o pessimismo já surgia no mercado brasileiro, e se estendeu por toda a semana. Passado o feriado, as bolsas despencaram no mundo inteiro. A bolsa de Tóquio chegou ao nível mais baixo desde 1983, e as quedas nos principais centros superaram os 3%. As principais economias mundiais ainda mostram indícios fracos de recuperação, o que se reflete nos números decepcionantes divulgados pelas empresas listadas nas bolsas. A crise de confiança do investidor nas bolsas norte-americanas não passou. Também teme-se a ocorrência de novos ataques terroristas no aniversário dos atentados a Nova York e Washington, no dia 11 de setembro.Além disso, cresce a tensão entre os líderes dos Estados Unidos e Inglaterra e o regime iraquiano, e um conflito armado de maiores proporções parece cada vez mais provável. A proximidade do primeiro aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001 também preocupa os investidores, que temem novos ataques.O presidente George W. Bush passou das ameaças e começou a tomar medidas efetivas para que o Congresso dos Estados Unidos e governos estrangeiros apóiem uma guerra com o Iraque. O primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair já se alinhou a Bush, mas também busca apoio interno. O presidente norte-americano também discursará nas Nações Unidas para convencer a comunidade internacional sobre a necessidade da ação militar. Os líderes da Rússia, China e França foram procurados pela Casa Branca, mas não declararam nenhum tipo de apoio a Bush. Além das ofensivas diplomáticas, a imprensa norte-americana tem destacado a preparação logística das Forças Armadas dos Estados Unidos no Oriente Médio. O bombardeio na zona de exclusão iraquiana na quinta-feira foi um dos maiores dos últimos meses. Sucessão perde destaqueNo final de semana passado, surgiram as primeiras pesquisas de intenção de voto indicando empate técnico entre Ciro Gomes (Frente Trabalhista) e de José Serra (PSDB/PMDB), o favorito do mercado. Mas os investidores consideram que esse resultado já foi absorvido e uma nova recuperação somente ocorrerá se Serra se isolar na segunda colocação. Mas o fator principal continua sendo o comportamento das bolsas estrangeiras e o desenrolar das tensões entre Estados Unidos e Iraque.Também foi praticamente abandonada a perspectiva de queda, nesta semana, da Selic, a taxa básica referencial da economia, atualmente em 18% ao ano. Como a próxima reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom) está marcada para os dias 17 e 18, não se esperava que o BC usasse da prerrogativa concedida no mês passado e reduzisse as taxas antes da reunião. O próprio Armínio Fraga afirmou que as turbulências internacionais diminuem a margem de manobra da equipe econômica para reduzir o juro, mesmo que a inflação para 2003 - principal critério - permita uma queda.No câmbio, o Banco Central flexibilizou as regras das linhas de crédito complementar às exportações, tendo mais sucesso nos leilões diários. O governo também tem vendido dólares, mas as atuações apenas contêm a forte tendência de alta. Um fator de pressão para o dólar foram as tentativas de rolagem de US$ 1,9 bilhão em títulos cambiais com vencimento em 11 de setembro. Em leilões ontem e hoje, o Banco Central conseguiu renovar cerca de 50% dos papéis e haverá novos leilões na próxima semana.MercadosOs mercados brasileiros apresentaram tendências pessimistas desde o dia 30 de agosto. O dólar subiu 4,98% no período enquanto a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu 6,41%. Nos Estados Unidos, o pessimismo começou cerca de uma semana antes. Desde o dia 22 de agosto, Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - caiu 6,91%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - sofreu queda de 8,97%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-0,04%-2,34%-1,37%-2,73%-0,07%Dólar (cotação)R$ 3,0620R$ 3,1000R$ 3,1200R$ 3,1520R$ 3,1600Juros (swap de um ano)20,070%20,400%20,250%20,860%20,870%Nasdaq (variação)--3,88%2,25%-3,20%3,54%Dow Jones (variação)--4,10%1,41%-1,68%1,73%Dia-a-dia:Segunda-Feira (02/09)O feriado nos EUA reduziu muito os negócios, especialmente no mercado de câmbio. O BC não realizou leilão de linhas de comércio exterior novamente e o dólar subiu para R$ 3,06. Bolsa e juros mantiveram-se próximos da estabilidade.Terça-Feira (03/09)Os mercados internacionais tiveram um dia de forte pessimismo, em função da recuperação ainda fraca da economia mundial, da possibilidade de guerra entre Estados Unidos e Iraque e de resultados decepcionantes de empresas. Dólar e juros subiram, e Bolsa caiu. Quarta-Feira (04/09)Os mercados brasileiros tiveram mais um dia pessimista em função do agravamento do cenário internacional. O governo dos EUA iniciava acertos políticos internos e externos para invadir o Iraque.Quinta-feira (05/09)Os mercados brasileiros continuavam embalados no pessimismo dos últimos dias nas bolsas internacionais. Quinta-feira foi mais um dia de queda na Bovespa e alta nos juros e dólar, apesar das intervenções do Banco Central.Sexta-feira (06/09)Os preparativos para uma guerra no Iraque pela Casa Branca estavam claros, elevando os preços do petróleo e trazendo muita apreensão aos mercados. Apesar das altas nas bolsas em Nova York, os mercados brasileiros reagiram com pessimismo.

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