Mercados: resumo da semana

A semana foi marcada por poucas oscilações e relativa estabilidade no Brasil e no exterior. O temor de novos ataques por causa do aniversário do 11 de setembro não se confirmou, mas a data funcionou como um feriado no meio da semana para os mercados, reduzindo o volume de negócios. O medo maior recai sobre a possibilidade de uma guerra no Iraque e os resultados decepcionantes da economia mundial. No Brasil, o foco continua sendo a eleição presidencial.No início da semana, a pesquisa do Ibope agradou os investidores, uma vez que o candidato preferido dos mercados, José Serra (PSDB-PMDB), apareceu isolado no segundo lugar. A estratégia de sua campanha agora - a três semanas das eleições - é reforçar as provocações contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PL), líder nas pesquisas, cujo impacto será sentido na próxima semana. Um ponto negativo foi o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado ontem, embora não tenha tido grande repercussão nos mercados. Na análise sobre a "Estabilidade Financeira Global", o Fundo alerta sobre a vulnerabilidade do Brasil, mesmo depois do pacote de ajuda de US$ 30,4 bilhões, e o risco de um contágio financeiro entre mercados emergentes. Por outro lado, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, considerou positivos os resultados de sua viagem e de Armínio Fraga, presidente do Banco Central (BC), à Europa para contatos com investidores e instituições financeiras internacionais. O objetivo principal foi o de assegurar a retomada do crédito e convencer o mercado internacional a ter maior confiança no Brasil.Proximidade da guerra e a economia dos EUAA possível guerra dos EUA contra o Iraque vem afetando o mercado de petróleo, mantendo pressão sobre os preços. Para o Brasil, isso pode significar aumento do dólar e inflação, sem contar o peso da recessão norte-americana sobre as exportações. Além disso, diante desse quadro de incertezas, o País poderá enfrentar uma retração ainda maior nos fluxos internacionais. Hoje, a declaração do governo iraquiano de que não aceitará o retorno incondicional dos inspetores da Organização das Nações Unidas (ONU) e poderá atacar Israel se o país apoiar uma ação norte-americana no conflito fez com que o petróleo retomasse a alta. Em discurso ontem na 57ª Assembléia Geral da ONU, George W. Bush cobrou o cumprimento das resoluções do Conselho de Segurança da organização, que o Iraque vem ignorando. E, se isso não acontecer, prometeu agir mesmo sem a aprovação da ONU. Em resposta, o secretário-geral da entidade, Kofi Annan, classificou tal atitude uma violação ao direito internacional. De todo o jeito, o recado de Bush foi claro e recebeu elogio da Liga Árabe e de líderes europeus.A economia norte-americana continua preocupando. Os indicadores divulgados revelam um crescimento pequeno, porém desordenado e inconsistente. Ontem, o presidente do Fed - banco central norte-americano - Alan Greenspan não agradou. Ele afirmou que a economia resistiu ao impacto dos atentados de 11 de setembro e à queda nas bolsas, mas advertiu que os EUA não podem abandonar a disciplina fiscal a fim de evitar um rombo nas contas públicas e, em conseqüência, a elevação dos juros. O Fed também indicou que a economia vem crescendo, mas de maneira desordenada e inconsistente.MercadosO dólar vem oscilando significativamente desde 13 de agosto e mantém-se em patamares acima de R$ 3. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vem oscilando desde 23 de julho, anulando perdas e ganhos. Desde o último dia 6, apresenta uma leve tendência de alta, acumulando uma valorização de 4,77%. Entre as ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bovespa -, as maiores altas da semana foram as preferenciais (PN, sem direito a voto) Tele Centro Celular Participações (+21,33%), Comgas PNA (+12,81%), a ordinária (ON, com direito a voto) Embratel (+12,50%), Brasil Telecom (+10,59%), Telemig Celular (+10,27%). Entre as maiores baixas, estão Light Serviços Eletricidade ON (-6,81%), Votorantin Celulose Papel PN (-5,19%), Aracruz Celulose PNB (-4,19%), Globo Cabo PN (-2,33%), Gerdau PN (-1,99%).Nos Estados Unidos, o Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - acumula desvalorização de 8,18% desde 22 de agosto. No mesmo período, a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - sofreu queda de 9,24%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+2,45%+0,06%+2,23%-0,10%+0,08%Dólar (cotação)R$ 3,1000R$ 3,1370R$ 3,1050R$ 3,1260R$ 3,1610Juros (DI para janeiro)20,200%20,410%20,400%20,390%20,450%Nasdaq (variação)+0,72%+1,19%-0,35%-2,72%+0,92%Dow Jones (variação)+1,09%+0,98%-0,25%-2,35%-0,80%Dia-a-dia:Segunda-Feira (09/09)Depois de uma semana de muito pessimismo, os mercados brasileiros apresentaram recuperação parcial hoje, acompanhando as bolsas de Nova York e alguns fatos positivos. O dólar caiu para R$ 3,10.Terça-Feira (10/09)Com poucos negócios, o dia foi de muita cautela nos mercados em função do aniversário do 11 de setembro. Houve muita especulação no câmbio pelas taxas de vencimento de US$ 1,9 bilhão em títulos cambiais.Quarta-Feira (11/09)Os mercados norte-americanos apresentaram pequena queda no primeiro aniversário dos ataques terroristas, com poucos negócios. Mas, no Brasil, passado o susto de novos atentados, o clima foi de recuperação.Quinta-feira (12/09)Os mercados se guiaram pelo pronunciamento do presidente dos Estados Unidos na ONU, que foi um ultimato a Saddam Hussein. A guerra não viria já, mas os investidores permaneceram cautelosos.Sexta-feira (13/09)Os mercados mantiveram-se muito cautelosos com o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Iraque. A guerra parece mais próxima e os preços do petróleo voltaram a subir. As demais cotações seguiram direções diferentes, mas em torno da estabilidade.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.