Mercados: resumo da semana

O clima foi de muita tensão e acirramento do pessimismo nos mercados financeiros. Os investidores mantêm-se apreensivos com a corrida presidencial, mas o cenário internacional também não ajuda. Avançam os preparativos para a guerra do Iraque e a economia mundial continua dando sinais de fraqueza. E o Banco Central decidiu resgatar parte dos títulos cambiais que vencem nos próximos 30 dias, pressionando as cotações do dólar. Na quarta-feira, foi mantida em 18% ao ano a Selic - taxa básica referencial de juros da economia.Desde o início da semana, começaram a correr rumores de que Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL) estaria muito próximo dos 50% de votos válidos necessários para vencer a eleição já no primeiro turno. De fato, as duas sondagens do Ibope e uma do Vox Populi confirmaram que Lula continua firme na primeira colocação, com cerca de 40% das intenções de voto, enquanto José Serra (PSDB/PMDB), o favorito dos mercados, encontra dificuldades em ultrapassar a marca dos 20%. As oscilações das últimas pesquisas foram pequenas, e ficaram dentro da margem de erro, indicando estabilidade do quadro eleitoral.O problema é que o mercado torce para Serra, pois vê no candidato a maior chance de continuidade de políticas afinadas com seus interesses. Mas ele precisa continuar crescendo com força. Primeiro, para que Lula não consiga os 50% dos votos válidos, ou seja, mais que a somatória dos votos de todos os demais, o que seria suficiente para vencer no primeiro turno. E, depois, para disputar o segundo turno com chances de vitória. Assim, se Serra pára de crescer, desperta temores de que não tenha condições de desafiar Lula, e os mercados retomam a tensão e o pessimismo.Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom), manteve a Selic em 18% ao ano. A decisão não surpreendeu e teve pouco efeito sobre os mercados. A novidade foi que o governo definiu viés neutro, ou seja, uma alteração nos juros só poderá ocorrer na próxima reunião mensal do Comitê. Analistas comentam que dólar e juros de mercado estão mais estáveis do que no mês passado e a inflação está abaixo da meta do governo. Mas o cenário externo segue turbulento, e as eleições ainda estão trazendo muitas oscilações aos mercados. Apesar das pesadas intervenções do Banco Central (BC) ao longo da semana, o dólar subiu muito com tantas incertezas. Outro fator de pressão foi a decisão do governo de não renovar grandes volumes de títulos cambiais que vencem nos próximos 30 dias. Segundo o BC, a demanda por papéis cambiais teria caído, pois as empresas não precisam de tantas reservas para cobrir dívidas no exterior, já que as linhas de crédito diminuíram muito nos últimos meses e só vêm sendo retomadas muito gradualmente. Por isso, o efeito desses resgates de títulos deveria ser neutro. Mas analistas comentam que as incertezas elevam muito a procura por divisas, e a falta de títulos cambiais ajuda a pressionar as cotações do dólar.O cenário internacional também gera preocupações. Quanto às tensões entre Estados Unidos e Iraque, os sinais apontam a crescente probabilidade de uma guerra. A reação inicial do país às cobranças dos Estados Unidos não agradou à Organização das Nações Unidas (ONU). Mas, na terça-feira, o regime iraquiano, que não cumpre as determinações do Conselho de Segurança, cedeu e declarou que aceita a principal delas, a inspeção irrestrita do seu arsenal de guerra. Mas os EUA mantêm-se céticos, e na quinta-feira o presidente George W. Bush enviou pedido de aprovação para uma ofensiva militar no Iraque ao Congresso. Bush avisou que se a ONU não o apoiar, os Estados Unidos irão para a guerra com seus aliados. Mas até o governo russo, que tem poder de veto no Conselho de Segurança, já aceita um ataque em nome da organização se for provado que o Iraque tem mesmo armas de destruição em massa. Os aliados europeus que ainda oferecem resistência estão cada vez mais brandos, e até a Arábia Saudita anunciou que permitirá o uso das bases norte-americanas instaladas em seu território, desde que a operação ocorra com o aval da ONU. Para os investidores, além dos temores gerados pelas altas seguidas nos preços do petróleo, a economia mundial está enfraquecida, e as dificuldades podem se agravar se realmente houver uma guerra. E as conseqüências para os diversos conflitos graves que existem na região são imprevisíveis.MercadosHá cerca de dez dias, o pessimismo nos mercados financeiros no mundo inteiro tem se agravado. O dólar comercial para venda, desde 9 de setembro não pára de subir, acumulando alta de 9,83%. A Bolsa de Valores de São Paulo, caiu 5,84% desde 13 de setembro. Na semana, dentre as ações que compõem o Ibovespa, as que mais subiram foram as preferenciais (PN, sem direito a voto) - tipo A da Companhia Vale do Rio Doce, com alta de 5,47%. Em seguida, vêm Klabin PN (3,33%), Aracruz PNB (2,47%), Companhia Siderúrgica Tubarão PN (1,92%) e Votorantim Celulose e Papel PN (1,19%).Já as maiores baixas foram as preferenciais do tipo a da Braskem (- 9,35%), as ordinária (ON, com direito a voto) da Petrobrás (- 9,62%), Eletrobrás PNB (9,92%), Petrobrás BR PN (- 11,34%) e Telesp Celular Participações (- 18,16%).No exterior o pessimismo também predominou. Em Nova York, as bolsas vêm caindo sistematicamente desde 11 de setembro. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - acumula queda de 7,17% nesse período, enquanto a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - perdeu 6,94.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-3,43%-1,84%-1,50%-1,40%+2,27%Dólar (cotação)R$ 3,2160R$ 3,2500R$ 3,3550R$ 3,4500R$ 3,4050Juros (DI para janeiro)20,900%21,130%21,300%22,250%21,160%Nasdaq (variação)-1,20%-1,25%-0,62%-2,85%+0,38%Dow Jones (variação)+0,81%-2,06%-0,43%-2,81%+0,55%Dia-a-dia:Segunda-Feira (16/09)Boatos de que Lula teria subido ainda mais nas pesquisas, estando próximo de vencer no primeiro turno, e as crescentes possibilidades de uma guerra entre os Estados Unidos e o Iraque trouxeram pessimismo aos mercados.Terça-Feira (17/09)Os investidores continuavam esperando um avanço de Lula nas pesquisas que seriam divulgadas a partir de terça. Os temores de que ele vença a eleição no primeiro turno trouxeram pessimismo aos negócios. A maioria esperava Selic estável no dia seguinte, o que ocorreu.Quarta-Feira (18/09)O cenário político continuou no foco de atenção dos investidores. O dólar comercial fechou cotado a R$ 3,3550 e ficou próximo do fechamento recorde frente ao real, de R$ 3,4700, alcançado em 31 de julho. A bolsa fechou em queda de 1,5% e os juros subiram um pouco. A Selic foi mantida em 18% ao ano, sem viés.Quinta-feira (19/09)Promessas de guerra no Iraque pelo presidente George W. Bush, dados preocupantes sobre a economia dos Estados Unidos e boatos sobre avanços de Lula nas próximas pesquisas deram um tom pessimista aos negócios. O dólar disparou para R$ 3,45.Sexta-feira (20/09)Os mercados mantiveram as previsões pessimistas com a possibilidade do governo Lula, até agora, com maiores chances de vencer a disputa. O cenário internacional também não ajudou.

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