Mercados: resumo da semana

A semana foi de muita tensão nos mercados com a escalada do dólar. Hoje, o moeda norte-americana bateu mais um recorde desde o Plano Real e fechou em R$ 3,8750, uma alta de 67,31% no ano e de 23,68% nos últimos 30 dias. Os maiores fatores de pressão foram os vencimentos acumulados de títulos cambiais, a instabilidade do cenário eleitoral e as incertezas internacionais. Como o governo renovou muitos contratos ao longo do ano, com prazos cada vez mais curtos a fim de evitar vencimentos depois da posse do novo presidente, a quantidade de títulos vencendo nos últimos meses deste ano é muito grande. Isso significa uma pressão crescente sobre o dólar com o objetivo de conseguir mais reais na troca dos títulos e o BC não está conseguindo conter a escalada da moeda norte-americana.Na penúltima semana antes do pleito, as incertezas no cenário eleitoral ditaram o rumo dos negócios. Não se sabe se haverá segundo turno e, mesmo se houver, não há definição, com base nas últimas pesquisas, sobre qual candidato poderá enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PL). José Serra (PSDB-PMDB), o candidato preferido dos mercados, tem o segundo lugar ameaçado pelo crescimento e aproximação da candidatura de Anthony Garotinho (PSB). As altas do dólar estão pressionando a inflação. O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de setembro, divulgado na quinta-feira, ficou em 2,40% e a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que calcula o índice, acredita que o número de outubro pode ser ainda maior. É um sinal preocupante para a inflação nos próximos meses, uma vez que uma disparada no índice poderá levar o governo a elevar os juros a fim de encarecer o crédito e conter o consumidor. A Selic, taxa básica de juros da economia, está atualmente em 18% ao ano.Cenário internacionalO cenário internacional também trouxe sinais negativos. As bolsas européias, que já vinham operando em níveis muito baixos, registraram fortes quedas por causa da reeleição do chanceler Gerhard Schroeder na Alemanha, sustentado por alianças mais à esquerda. Há o temor de que o novo governo não consiga realizar reformas econômicas impopulares e comprometa o crescimento, já fraco, da maior economia do continente.Também nos Estados Unidos, não há sinais de recuperação da atividade econômica. Os dados divulgados revelam um desempenho fraco e possível início de recessão. Além disso, para piorar, o presidente George W. Bush insiste em uma ofensiva contra o Iraque e tem o apoio do Reino Unido. Ele já declarou que poderá agir mesmo sem a aprovação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Por outro lado, Rússia e Alemanha já se mostraram contrários à guerra. Com isso, o preço do petróleo voltou a subir, mantendo pressão sobre os preços. Para o Brasil, isso pode significar aumento do dólar e inflação, sem contar o peso da recessão norte-americana sobre as exportações. Além disso, diante desse quadro de incertezas, o País poderá enfrentar uma retração ainda maior nos fluxos internacionais. MercadosA moeda norte-americana bateu mais um recorde desde o Plano Real, fechou em R$ 3,8750 e acumula uma alta de 67,31% no ano. O dólar vem subindo desde abril, chegando ao patamar de R$ 3 em agosto e, a partir de então, começou a oscilar muito. Em setembro, disparou. Desde 30 de agosto, acumula alta de 28,74%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também tem oscilado bastante com tendência de queda e, no mesmo período, acumula desvalorização de 16,07%.Entre as ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bovespa -, as maiores altas da semana foram as preferenciais (PN, sem direito a voto) Companhia Siderúrgica Tubarão (+11,51%), Inepar (+8,47%), Aracruz Celulose (+8,35%) - tipo B, Companhia Vale do Rio Doce - tipo A (+7,62%) e Ambev (+5,80%). Entre as maiores baixas, estão Globo Cabo PN (-30,77%), a ordinária (ON, com direito a voto) Petrobras (-18,64%), Eletropaulo PN (-18,64%), Petrobras PN (16,59%) e Copel PN - tipo B (-15,08%).Nos Estados Unidos, depois de ensaiar uma recuperação em agosto, as bolsas norte-americanas reverteram as altas e seguem em queda em setembro. Desde 22 de agosto, o Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - acumula queda de 14,93%, enquanto a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - perdeu 15,73%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-5,26%-1,25%+0,86%-0,30%-5,26%Dólar (cotação)R$ 3,5750R$ 3,7800R$ 3,6650R$ 3,7600R$ 3,8750Juros (DI para janeiro)21,870%22,040%21,800%21,720%22,000%Nasdaq (variação)-2,96%-0,23%+3,39%-0,06%-1,84%Dow Jones (variação)-1,42%-2,40%+2,07%+1,98%-3,70%Dia-a-dia:Segunda-Feira (23/09)Os mercados internacionais tiveram um dia de muito pessimismo pela escalada das tensões entre EUA e Iraque, novos dados ruins sobre a economia norte-americana e incertezas com o novo governo alemão. A vantagem de Lula assustou os investidores.Terça-Feira (24/09)As especulações em função do vencimento de US$ 1,52 bilhão em títulos cambiais amanhã fez o dólar disparar para R$ 3,81. Rumores sobre novos avanços de Lula no Ibope também desagradaram os investidores.Quarta-Feira (25/09)Os mercados continuaram atentos às incertezas do cenário interno e externo, mas hoje o dia foi de instabilidade e nervosismo menores. O dólar encerrou o dia cotado a R$ 3,6650, em queda de 3,04%. Na Bolsa, a recuperação foi pequena: alta de 0,86%.Quinta-feira (26/09)Os muitos vencimentos de papéis cambiais nestes últimos meses do ano continuaram pressionando o dólar. O cenário eleitoral, que desagrada os investidores, e internacional ajudaram a sustentar as altas cotações da moeda norte-americana.Sexta-feira (27/09)Num dia de pessimismo recorde, a Bovespa despencou para o menor nível desde a crise de desvalorização do real em 1999 e o dólar disparou, chegando a ser cotado a R$ 3,89. Vencimentos de cambiais e eleições mantiveram investidores tensos.

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