Mercados: resumo da semana

A semana nos mercados foi marcada por forte oscilação. Os investidores permaneceram atentos às últimas pesquisas de intenção de voto e a principal questão era a possibilidade de definição da sucessão presidencial no primeiro turno. Dúvida essa que ainda permaneça. Até domingo, novas apurações serão divulgadas e será possível perceber a reação dos eleitores ao último debate dos presidenciáveis realizado ontem pela Rede Globo de Televisão.No mercado de câmbio, se esperava que a moeda norte-americana chegasse a R$ 4,00 na segunda-feira. Mas, as intervenções do Banco Central (BC) a fim de conter a escalada do dólar foram bem sucedidas. O BC ofertou dólares no mercado à vista e em leilões de linha externa. Com isso, o patamar máximo alcançado pelo dólar foi de R$ 3,9600 na segunda-feira. Já a cotação mínima da semana foi de R$ 3,5400, na quarta-feira.Para os investidores, além das incertezas com o cenário político, acentua-se a preocupação com a concentração de vencimentos de dívidas cambiais, tanto do governo como de empresas privadas. Só nesse mês, segundo analistas, vencem US$ 2 bilhões em obrigações de empresas, além dos já previstos US$ 3,62 bilhões em títulos públicos cambiais, o maior do ano, seguido de mais um lote de US$ 1,09 bilhão no dia 23.Como grande parte dessas dívidas não serão renovadas, os investidores já antecipam a compra de dólares, pois espera-se uma pressão de alta sobre as cotações, como aconteceu na semana passada. O fato é que, diante dessa expectativa, o dólar já apresenta pressão de alta agora e foi para conter esse movimento que o BC atuou ofertando dólares e contratos de linha. Recuperação também para C-Bonds e risco-paísNo mercado de títulos da dívida brasileira, houve recuperação dos preços. Os C-Bonds, principais títulos da dívida, encerram a semana cotados a 54,938 centavos por dólar. Na sexta-feira passada, eram vendidos a 48,375 centavos por dólar. Já a taxa de risco-país, que mede a confiança dos investidores em relação à capacidade de pagamento da dívida de um país, encerra a semana em 1.953 pontos base. Na semana passada, chegou a 2.400 pontos base. Isso significa que os títulos brasileiros encerram essa semana pagando 19,53 pontos porcentuais acima dos juros americanos, uma taxa inferior ao prêmio oferecido na semana passada, de 24 pontos porcentuais.Mercado internacionalEm relação ao cenário externo, os investidores mantêm-se atentos às decisões dos Estados Unidos em relação ao Iraque. Na terça-feira, um fator positivo foi o acordo entre o Iraque e a Organização das Nações Unidas (ONU) sobre as regras de inspeção dos armamentos do país. De qualquer forma, há grande desconfiança dos norte-americanos sobre a eficácia desse acordo. Na quarta-feira, a novidade foi o acordo entre o presidente George W. Bush e os líderes do seu partido, o Republicano, e da oposição democrata na Câmara dos Representantes para a aprovação de resolução autorizando-o a usar a força para garantir a segurança dos Estados Unidos. Nessa sexta-feira, os contratos futuros de petróleo fecharam o dia em leve queda em Londres, cotado a US$ 29,62 o barril. Em Nova York, os contratos de petróleo Brent para novembro fecharam em US$ 28,12 o barril.MercadosA Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ensaiou uma recuperação nos últimos cinco pregões. No início dessa semana, na segunda-feira, a Bolsa chegou a bater no patamar mais baixo dos últimos nove anos, em 8.622 pontos. De lá para cá vem registrando altas e termina a semana com uma valorização de 6,24%. Entre as ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa - as maiores altas foram as ordinárias (ON, com direito a voto) da Petrobrás (15,34%), Embratel Participações ON (14,04%), as preferenciais (PN, sem direito a voto) do Bradesco (12,91%), Itaubanco PN (12,76%) e Petrobrás PN (11,52%). Já as maiores baixas foram registradas pelas preferenciais da Tele Nordeste Celular (- 3,73%), Celesc PNB (- 5,56%), Telemig Participações PN (- 6,72%), Net PN (- 7,41%) e Aracruz PNB (- 8,56%).O dólar oscilou forte nos últimos dias e encerra a semana em queda de 6,58%, resultado da atuação do Banco Central. O desempenho apresentado na primeira semana de outubro é contrário à forte alta do dólar em setembro. Para se ter uma idéia, um estudo da Economática mostrou que no mês passado a taxa Ptax - média diária ponderada dos negócios realizados no mercado cambial - apresentou a segunda maior alta desde o início do Plano Real, de 28,9%, ficando abaixo apenas da alta registrada em janeiro de 1999, quando o regime de bandas para o câmbio foi abandonado e as cotações passaram a oscilar livremente.Nos mercados norte-americanos, o índice Dow Jones - que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - vem oscilando nos últimos dias mas mantém a tendência de queda. Desde o dia 22 de agosto, a baixa é de 16,84%. Já o Nasdaq - que mede a valorização das açòes de tecnologia e Internet - acumula perda de 19,89% no mesmo período.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-1,07%+4,35%-1,97%+3,62%+1,31%Dólar (cotação)R$ 3,7600R$ 3,6100R$ 3,6650R$ 3,7000R$ 3,6200Juros (DI de seis meses)21,900%20,510%21,050%21,100%20,520%Nasdaq (variação)-2,26%+3,55%-2,18%-1,83%-2,20%Dow Jones (variação)-1,42%+4,57%-2,31%-0,50%-2,45%Dia-a-dia:Segunda-Feira (30/09)Em dia de especulação por causa dos vencimentos de contratos futuros e títulos cambiais, o Banco Central interveio pesadamente e conteve o dólar. Eleições e fortes quedas nas bolsas internacionais pressionaram o mercado.Terça-Feira (01/10)Num dia de poucos negócios e sem a pressão dos vencimentos de segunda-feira, as atuações do Banco Central no mercado surtiram efeito e o dólar voltou a cair com força. Mas a tranqüilidade era relativa, pois as incertezas continuavam às vésperas das eleições.Quarta-Feira (02/10)Os investidores aguardavam novas pesquisas de intenção de voto. Elas mostrariam a reação dos eleitores ao debate que foi realizado com os presidenciáveis na quinta-feira. O dia foi de forte oscilação nos mercados. O dólar operou entre R$ 3,5400 e R$ 3,6650.Quinta-feira (03/10)Mercado esperava o resultado de domingo para dar o próximo passo. Ainda assim, já começavam as antecipações dos enormes vencimentos, na segunda quinzena do mês, de títulos cambiais e dívida privada, com pressão sobre as cotações do dólar. Sexta-feira (04/10)A expectativa de definição da disputa no segundo turno trouxe alguma tranqüilidade aos mercados, que ainda operam em níveis muito pessimistas. No exterior, o dia foi de quedas novamente. Governo não conseguiu rolar cambiais.

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