Mercados: resumo da semana

Os mercados terminam a semana mais estáveis, após a tensão com o maior vencimento cambial do ano e os efeitos da elevação da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia. Mesmo tendo apresentado altas vigorosas, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ainda opera em níveis baixos. A Bolsa se beneficiou das altas nos mercados internacionais. Em plena época de divulgação de balanços, houve muitas surpresas positivas nos resultados das empresas, e a recuperação internacional teve impacto no mercado brasileiro. Ainda assim, tanto dólar, como juros e a própria Bolsa seguem operando em níveis muito pessimistas.O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic, taxa básica referencial da economia, de 18% para 21% ao ano. A reunião extraordinária, na segunda-feira, surpreendeu o mercado, o que incentivou uma onda pessimista. A alta dos juros, na verdade, acabou confirmando uma série de medidas de controle de operações cambiais e de contenção do crédito que o Banco Central (BC) adotou na semana passada com o objetivo de combater a pressão de alta do dólar. A taxa mais elevada encarece o crédito, o que reduz o crescimento da economia, e dificulta o repasse das altas da moeda norte-americana. Além disso, juros mais altos das aplicações também podem atrair investidores que têm recursos em dólar, diminuindo a pressão sobre o câmbio. Já sobre a Bolsa, é o efeito recessivo que derruba as cotações. Na última sexta-feira, o BC reduziu o limite máximo de aplicações cambiais das instituições financeiras de 60% para 30% do capital dos bancos; e também elevou, pela segunda vez, na segunda-feira, a exigência de capital em real sobre os investimentos em câmbio dos bancos de 75% para 100%. O BC também aumentou em cincos pontos porcentuais as alíquotas dos depósitos compulsórios à vista, a prazo e de poupança. Na quarta-feira, foi divulgada a ata da última reunião extraordinária do Copom. O documento mostra que a decisão foi um ajuste da taxa à realidade de alta do dólar, e da sua conseqüente pressão sobre a inflação, que já se faz sentir. A dúvida no mercado agora é se haverá novas altas, especialmente na próxima reunião mensal do Comitê, nos dias 22 e 23.VencimentosO governo não teve muito sucesso na rolagem de US$ 3,6 bilhões em cambiais que venceram na quinta-feira. Do pacote de contratos cambiais, só foram rolados cerca de 61%, a maior parte para diferentes datas ainda neste ano. O problema é que a concentração de vencimentos segue alta. Já no dia 23 vence mais um lote de US$ 1,1 bilhão e no dia 1º de novembro, lotes rolados dos compromissos desta semana.EleiçõesPor conta das altas do dólar, da conjuntura internacional, e das desconfianças em relação a um provável governo do PT em nível federal, os mercados têm se mantido muito pessimistas. O candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, continua na liderança das pesquisas no segundo turno. A última, divulgada pelo Ibope, no Jornal Nacional da Rede Globo, revela que ele está com 60% contra 31% do candidato tucano José Serra. Em votos válidos, o resultado representa 66% para Lula contra 34% de Serra.Na quinta, assessores de Lula deram declarações reforçando o compromisso com o superávit primário e a estabilidade da economia. Eles enfatizaram os compromissos assumidos com a responsabilidade da administração pública e com os contratos vigentes. O mercado gostou, e ensaiou uma ligeira recuperação, mas a cautela predominou. MercadosNo mercado de câmbio, desde o dia 9 de outubro, o dólar tem se mantido entre R$ 3,80 e R$ 4,00, com oscilações de um dia para o outro. Os juros futuros deram um salto nesta semana por conta da elevação da Selic de 18% ao ano para 21% ao ano em reunião extraordinária do Copom, na segunda feira. Já a Bovespa apresentou alta significativa nos últimos dois dias, porém, no mês, a tendência é indefinida. As maiores altas da Bovespa nesta semana foram a Net PN (16,67%), Acesita PN (9,38%) e Telesp Celular PN (8,80%). Já as maiores quedas foram Sabesp ON (- 5,15%), Klabin PN (-5,49) e Gerdau PN (-5,62).Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - vem apresentando tendência de alta desde 9 de outubro, uma variação de 15,60%. O mesmo vem ocorrendo com a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -, com alta de 14,22%.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+6,51%+0,66%-1,60%+6,34%+1,36%Dólar (cotação)R$ 3,8600R$ 3,8500R$ 3,9200R$ 3,9100R$ 3,8750Juros (DI para janeiro)23,280%25,600%24,690%24,800%24,250%Nasdaq (variação)+0,83%+5,07%-3,90%+3,23%+1,22%Dow Jones (variação)+0,33%+4,80%-2,66%+2,97%+0,57%Dia-a-dia:Segunda-Feira (14/10)A alta da Selic de 18% para 21% ao ano determinada na segunda pelo Copom complementou uma série de esforços do governo para conter as altas do dólar. A Bovespa despencou e os juros de mercado dispararam, mas o dólar caiu pouco e ficou em R$ 3,86.Terça-Feira (15/10)O aumento da Selic trouxe uma reação imediata no mercado de juros, e ainda temem-se mais altas a partir da reunião do Copom na semana que vem. Mas o dólar, que era o alvo da medida, continua alto e fechou a R$ 3,85.Quarta-Feira (16/10)O mercado reagiu com muito pessimismo no dia do maior vencimento de contratos cambiais do ano e mesmo os 61% do total de US$ 3,6 bilhões que o governo conseguiu rolar são para antes de 2003 e a taxas altíssimas. Ata do Copom não surpreendeu.Quinta-feira (17/10)A Bovespa disparou na quinta, estimulada por fortes altas nas bolsas internacionais nos dias anteriores. Mas a recuperação era pequena considerando-se as quedas acumuladas. Dólar e juros recuaram ligeiramente.Sexta-feira (18/10)Os mercados tiveram um dia de ligeira recuperação, com destaque novamente para a Bovespa. Juros e dólar seguiram altos, mas apresentaram pequenas quedas. Os investidores gostaram de declarações da equipe de Lula, mas seguiram cautelosos.

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