Mercados: resumo da semana

A semana termina com sinais de que os investidores decidiram rever suas perspectivas em relação a um possível governo de oposição. A onda de otimismo ficou mais forte na quarta-feira, quando declarações de representantes do PT conseguiram convencer analistas de que a próxima econômica estará comprometida com a estabilidade econômica. O fato é que os investidores corrigiram o impacto do pessimismo exagerado que vinha se acumulando sobre os ativos nas últimas semanas. Já a consolidação de uma tendência favorável vai depender das primeiras decisões concretas do próximo governo, que terá início com o anúncio da equipe de transição, na terça-feira.Segundo relatório da Lloyds TSB divulgado hoje, "os primeiros passos do futuro governo que influenciariam positivamente a retomada do otimismo pelo mercado poderiam ser na direção da rápida adoção de propostas para reduzir o déficit da previdência pública, prioridade para a reforma tributária e autonomia do Banco Central". CopomAlém da influência positiva do quadro político, os mercados também gostaram da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic, a taxa de juros básica da economia, estável em 21% ao ano, na reunião mensal realizada na quarta-feira. Na semana passada, a taxa já havia subido três pontos porcentuais - de 18% ao ano para 21% ao ano -, mas alguns analistas acreditavam que poderia haver uma nova subida das taxas de juros.A política monetária tem como objetivo o cumprimento das metas de inflação. Nesse ano, a meta é de 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Para o economista do BankBoston, Marcelo Cypriano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para a meta de inflação, deve encerrar o ano entre 9% e 9,5%.A forte pressão sobre os índices de inflação é justificada, em grande parte, pela valorização do dólar frente ao real, que acaba sendo repassada para os preços internos pela importação de produtos e insumos. Em 2002, a moeda norte-americana registra uma alta de 61,05%, enquanto o IPCA acumulado até o mês de setembro registra uma alta de 5,60%.Contas externasOs mercados também reagiram de forma positiva ao resultado mensal da conta de transações correntes, divulgado na quinta-feira, que ficou positivo em US$ 1,221 bilhão. Trata-se do melhor resultado desde 1947, quando o BC começou a registrar esses dados. No acumulado do ano, o saldo ainda é negativo, em US$ 13,062 bilhões, mas já representa uma proporção menor do Produto Interno Bruto (PIB), de 2,81%. Há um ano, esse percentual era de 4,97%.Vale destacar que a conta de transações correntes é constituída pela soma dos resultados da balança comercial, balança de serviços (remessas de lucros e dividendos, pagamento de juros etc.) e transferências unilaterais. O bom resultado foi puxado, principalmente, pelo saldo positivo da balança comercial que, para esse caso, pesou favoravelmente a alta do dólar.Reações nos mercadosUm dos principais sinais da melhora no humor dos investidores foi o aumento do volume de transações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), acompanhado por uma forte alta do Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, acumulada em 11% na semana. A média diária de negócios nessa semana ficou em R$ 800,205 milhões. Na semana passada, estava em R$ 522,177 milhões. MercadosAnalistas afirmam que investidores estrangeiros e fundos de pensão estão mais presentes na Bolsa. Segundo eles, isso acontece justamente por uma correção do pessimismo mais exagerado das últimas semana e uma confiança maior na condução da política econômica no próximo governo. Porém, para ter certeza sobre essa reversão das expectativas na Bolsa, será necessário aguardar pelo movimento das ações até o final da próxima semana. As ações com as maiores altas na semana foram as preferenciais (PN, sem direito a voto) da Usiminas (25,59%), Eletropaulo PN (22,82%), Itaubanco PN (20,36%), Itausa PN (19,61%) e as ordinárias (ON, com direito a voto) da Eletrobrás (17,22%). As maiores baixas foram apuradas pelas ordinárias da Tractebel (-11,17%), Comgas PNA (-3,64%), Net PN (-3,57%), Brasken PNA (-1,78%) e Acesita PN (-1,43%).O desempenho das bolsas norte-americanas também favorece o otimismo na Bovespa. O índice Dow Jones - que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - registra alta de 11,22% em outubro. O índice Nasdaq - que mede a variação das ações do setor de tecnologia e Internet - está com desempenho positivo de 13,57% no mesmo período. No mercado cambial, a semana também termina mais animadora em função do recuo das cotações da moeda norte-americana. A queda acumulada no período foi de 3,74%, sendo que nos últimos negócios dessa sexta-feira o dólar foi vendido a R$ 3,7300. No ano, a moeda norte-americana registra uma alta expressiva, de 61,05%. Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+1,17%+2,22%+5,45%-0,42%+2,19%Dólar (cotação)R$ 3,9150R$ 3,9100R$ 3,9100R$ 3,8000R$ 3,7300Juros (DI para janeiro)23,990%23,710%23,000%23,010%22,980%Nasdaq (variação)+1,69%-1,29%+2,12%-1,63%+2,50%Dow Jones (variação)+2,59%-1,03%+0,52%-2,08%+1,52%Dia-a-dia:Segunda-Feira (22/10)O dia foi relativamente tranqüilo nos mercados. Os negócios ficaram centrados nos dois eventos da quarta-feira seguinte: Copom, com expectativa de manutenção da Selic, o que se confirmou, e vencimentos cambiais, que provocavam especulações. Juros caíram e dólar subiu. Terça-Feira (22/10)Houve especulações, conforme esperado, por conta do cerca de US$ 1,1 bilhão em vencimentos cambiais que serão corrigidos pela taxa média do dia. Também era grande a expectativa em relação à reunião do Copom do dia seguinte. Quarta-Feira (23/10)O comportamento da Bolsa foi o destaque do dia no mercado financeiro. O Ibovespa fechou em alta de 5,45%. Investidores estrangeiros e fundos de pensão intensificaram compras. O dólar fechou estável e os juros recuaram depois da decisão do Copom. Quinta-feira (24/10)Investidores gostaram das declarações da equipe econômica do PT na semana, e, ainda cautelosos, ensaiavam uma trégua. Bolsa e dólar apresentaram recuperação ao longo do dia, embora estivessem em patamares pessimistas. Sexta-feira (25/10)Os investidores não falaram em eleições, esperavam vitória de Lula e estarão atentos às suas primeiras medidas. Agora os pronunciamentos do PT, posições e medidas no governo de transição é que devem dar o tom dos negócios. O clima foi de menos pessimismo. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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