Mercados seguem agitados com eleição

Depois de oscilar bastante hoje com os diversos boatos sobre a corrida presidencial, o dólar fechou a R$ 3,40; uma recuperação muito branda, que confirma a preocupação com os destinos da política econômica no caso mais provável de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL). Bolsa e juros também apresentaram ligeira recuperação, em linha com o comportamento do câmbio. O cenário internacional não ajuda, pois o desempenho da economia mundial é muito fraco, podendo resultar em uma recessão, além das perspectivas de guerra entre os Estados Unidos e o Iraque.A pesquisa Ibope divulgada hoje apresentou uma pequena queda de Lula, com 39% e José Serra (PSDB/PMDB), o favorito dos mercados, ficou estável em 19%. A maior preocupação dos investidores é que, mesmo que Lula não vença no primeiro turno, a candidatura Serra precisa crescer com mais vigor e velocidade. As apreensões de que um governo petista, até agora a possibilidade mais consistente, adote políticas econômicas incompatíveis com os interesses do mercado.O governo voltou a intervir no câmbio para conter as altas do dólar, mas, ainda assim, o nervosismo predominou em todos os mercados. Outro fator de tensão é a decisão do governo de não rolar títulos cambiais com vencimento nos próximos 30 dias. O Banco Central (BC) alega que a redução das linhas de crédito para o Brasil tornou desnecessário o atual volume de papéis cambiais, que servem de reserva para as empresas endividadas em dólar. Profissionais do mercado, entretanto, argumentam que as atuais incertezas fazem com que quem resgata os títulos corra para o dólar, pressionando as cotações ainda mais.MercadosO dólar comercial foi vendido a R$ 3,4050 nos últimos negócios do dia, em baixa de 1,30% em relação às últimas operações de ontem, oscilando entre R$ 3,3900 e R$ 3,4700. Com o resultado de hoje, o dólar acumula uma alta de 47,02% no ano e 9,84% nos últimos 30 dias.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 21,160% ao ano, frente a 21,800% ao ano ontem. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 25,100% ao ano, frente a 25,370% ao ano negociados ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 2,27% em 9585 pontos e volume de negócios muito elevado, de R$ 1,44 bilhão. A razão para isso foi a operação de conversão de ações da Bahia Sul, que sozinha movimentou quase R$ 970 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 29,40% em 2002 e 3,48% nos últimos 30 dias. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, 10 apresentaram quedas. O principal destaque foram os papéis da AES Tietê PN (preferenciais, sem direito a voto), com desvalorização de 18,44%. Mercados internacionais Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,55% (a 7986,0 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - subiu 0,38% (a 1221,09 pontos). Às 18h, o euro era negociado a US$ 0,9824; uma queda de 0,49%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em alta de 0,10% (376,79 pontos). Veja a seguir o resumo da semana nos mercados financeiros e a perspectivas para a semana que entra. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.