Mercados seguem muito nervosos

Ontem foi mais um dia muito ruim nos mercados internacionais. As bolsas de Nova York e Frankfurt, por exemplo, fecharam nos níveis mais baixos em muitos anos. Mas o pessimismo no Brasil foi ainda maior, com as tensões a menos de duas semanas das eleições e em meio a especulações com o vencimento de hoje de títulos cambiais.Como vencem US 1,52 bilhão em títulos cambiais hoje e o Banco Central (BC) apenas está renovando 50% desse montante, houve grande pressão especuladora. Por um lado, há um movimento de transferência de parte desses recursos resgatados para o dólar, assim como ações de compra para elevar a cotação da moeda norte-americana ontem, que disciplina esses contratos. Com isso, o dólar bateu novo recorde e chegou a ser negociado a R$ 3,81. Haverá outro grande vencimento no dia 1o de outubro (US$ 1,25 bilhão, com renovação de 70%) e no dia 17, que será o maior do ano (US$ 3,62 bilhões, sem meta de renovação). Mas as eleições presidenciais ajudam a manter o cenário muito tenso. À noite, o resultado do Ibope confirmou os temores do mercado, que torce para José Serra (PSDB/PMDB). Não houve mudanças significativas nas intenções de votos dos eleitores, o que indica que ainda há chances de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL) no primeiro turno, assim como a posição de Serra pode sofrer com o crescimento de Anthony Garotinho (PSB), que está pouco atrás.Favorito para vencer as eleições mesmo que haja um segundo turno, Lula declarou que a sua equipe econômica deverá ser afinada com as idéias do PT, o que não agradou os grandes investidores, que prefeririam nomes de perfil mais conservador. É exatamente o receio de perdas em decorrência de mudanças políticas econômicas que está motivando muitas instituições a procurarem aplicações financeiras mais seguras, como o dólar.Internacionalmente, continuam pesando os fracos resultados das principais economias mundiais, o que se reflete nos resultados das bolsas. Também traz muitas incertezas o vai-e-vem das hostilidades entre os Estados Unidos e o Iraque. A perspectiva de guerra no conturbado Oriente Médio em um momento de fragilidade da economia norte-americana preocupa. MercadosO dólar comercial foi vendido a R$ 3,7800 nos últimos negócios do dia, em alta de 5,73% em relação às últimas operações de ontem, oscilando entre R$ 3,5850 e R$ 3,8100. No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 22,040% ao ano, frente a 22,120% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,25% em 9148 pontos. Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 2,40% (a 7683,1 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -caiu 0,23% (a 1182,17 pontos). O euro fechou a US$ 0,9819; uma alta de 0,52%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em alta de 0,47% (377,16 pontos). O dólar oficial para venda fechou o dia estável, a $ 3,61 pesos.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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