Mercados seguem otimistas com ajuda do Fed

Os mercados tiveram mais um dia de vigorosa recuperação. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve o maior volume de negócios desde 24 de janeiro, girando R$ 916 milhões. Vale lembrar que, de maneira geral, as cotações chegaram aos níveis imediatamente anteriores aos atentados terroristas nos Estados Unidos. Nessa época, os mercados já estavam muito pessimistas, portanto, há muito o que recuperar. Também é cedo para ter certeza de que a tendência será mantida no longo prazo ou mesmo que a Argentina não torne a influenciar as cotações.O Fed (banco central norte-americano) trouxe ânimo para os investidores, reduzindo a taxa de juro básica de 2,5% para 2,0% ao ano. Como estima-se que a inflação esteja em torno de 2,7%, o juro real nos Estados Unidos está negativo. Além do corte de hoje, o décimo do ano, o Fed anunciou que as taxas continuam com tendência de queda. A próxima reunião será realizada em 11 de dezembro.Enquanto o Brasil comemora a recuperação na balança comercial e o abrandamento da crise energética, a Argentina continua em situação muito difícil. Hoje foi feriado no país, mas o governo continuou - sem êxito - tentando negociar os cortes dos repasses de verbas às províncias e esclarecer a operação de troca da dívida com os credores locais e estrangeiros.Mas as reações do mercados continuam negativas. A agência de classificação de risco anunciou hoje que a renegociação da dívida é calote, reduziu o rating (nota que reflete a solvência e credibilidade) do país, e manteve a Argentina em observação para novo rebaixamento. A atual nota, significa insolvência iminente. As demais agências de avaliação devem divulgar medidas semelhantes nos próximos dias.E o público segue tirando dinheiro dos bancos e comprando dólares. Só na sexta-feira passada, os saques despencaram de US$ 74,1 bilhões para US$ 73,62 bilhões. O sistema financeiro não agüentará tantas retiradas por muito tempo. Além disso, o governo corre para conseguir o adiantamento de US$ 1,3 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI) prometidos para dezembro para poder honrar seus compromissos externos até o final do ano. A situação é grave e o pacote de quinta-feira não traz solução definitiva, é mais um remendo.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,6100, com alta de 0,31%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 21,400% ao ano, frente a 22,030% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 2,06%.A Bolsa de Valores de Buenos Aires não funcionou hoje em função das comemorações do feriado do Dia do Bancário. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,59%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 2,31%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

06 de novembro de 2001 | 18h40

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