Mercados seguem tensos sem sinal de melhora

As turbulências no mercado financeiro seguem fazendo estragos, e os analistas de mercado não esperam melhora nas próximas semanas. O fato é que a crise de confiança do investidor norte-americano é de difícil solução no curto prazo, e a indefinição política no Brasil só acaba mesmo com a realização das eleições. Assim, a previsão é que as fortes oscilações dos últimos dias continuem.Na política brasileira, que vem agitando os mercados há meses, a proximidade das eleições está deixando os investidores ainda mais tensos. O problema é que a cada pesquisa que se divulga, o tempo passa e o candidato favorito dos investidores, José Serra (PSDB/PMDB), não ganha pontos. Ainda existe a esperança de que o horário eleitoral gratuito, que começa dia 20 de agosto, o beneficie, já que ele terá 40% do tempo.Mas, até agora, os dois candidatos que estão à frente preocupam o mercado, Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, que não pára de crescer, e Luis Inácio Lula da Silva (PT). A cada avanço de Ciro, fica mais difícil a recuperação de Serra, o que contribui para a alta do dólar e dos juros, além da queda na Bolsa.O que pode estabilizar um pouco as cotações, especialmente do dólar, que chegou a R$ 3,00 ontem é a sinalização que o governo pode aumentar o tamanho das suas intervenções, inclusive com apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ontem chegou-se a especular que o Banco Central entraria vendendo mais dólares que o habitual, o que não chegou a acontecer. De qualquer forma, a estratégia de vender US$ 1,5 bilhão em cotas diárias em julho deve ser reavaliada na virada do mês, ou seja, no início da semana que vem. Quando a intervenção foi decidida, o governo falava em intensificação das medidas se necessário.E a crise de confiança nas ações de empresas norte-americanas continua grave. As notícias de novas investigações nas maiores corporações do mundo aumenta a angústia de quem já perdeu dinheiro nas bolsas desde 2000 devido à queda do setor de alta tecnologia e informática, à desaceleração da economia e atentados terroristas. As fraudes contábeis trazem um elemento de risco inesperado, que apavora o investidor.E antes do dia 14 de agosto as preocupações não devem acabar. Até lá, presidentes de 945 empresas norte-americanas deverão confirmar os balanços atuais e passados, sob pena de sanção pessoal. Ou seja, espera-se a divulgação de novos escândalos e prejuízos surpreendentes, o que alimenta as altas e baixas extremas dos mercados. E não há garantia que depois dessa data os investidores retomem rapidamente suas posições, pelo contrário, a expectativa é que a recuperação das bolsas seja lenta.Ontem, o dólar comercial foi vendido a R$ 2,9950 nos últimos negócios do dia, em alta de 1,66% em relação às últimas operações de terça-feira, depois de chegar a R$ 3,0300. No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 22,300% ao ano, estáveis em relação a terça-feira. E a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 2,74% em 9.665 pontos.Em Nova York, as oscilações extremas dos últimos dias repetiram-se. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,06% (a 8186,3 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -caiu 3,89% (a 1240,08 pontos). O euro fechou praticamente estável, a US$ 1,0055. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em baixa de 0,71% (361,62 pontos). O dólar oficial para venda fechou em $ 3,60 pesos.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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