Mercados sentem influência internacional

Os investidores continuam atentos ao cenário internacional. O preço do petróleo começou o dia em alta. O barril do produto bruto do tipo Brent para entrega em novembro está em alta de 0,71% em Londres, cotado a US$ 30,55. As oscilações do petróleo podem deixar o mercado interno instável e provocar pressão de alta sobre a cotação do dólar. Porém, analistas consultados pelo editor Francisco Carlos de Assis acreditam que o dia deve ser de tranqüilidade no mercado financeiro.Na Bolsa de Valores de São Paulo, os negócios começam o dia em alta de 0,96%. O mercado acionário também deve ter um dia influenciado pelo cenário internacional. A Nasdaq - bolsa norte-americana que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet - opera em alta de 0,85% e o índice Dow Jones - que mede a valorização das ações de empresas mais negociadas na Bolsa de Nova York - acumula alta de 0,47%.Em meados de outubro, as empresas norte-americanas começam a divulgar seus balanços referentes ao terceiro trimestre. Algumas companhias - Intel, Kodak e Apple - já declararam uma possível queda na receita estimada. Os investidores reagiram mal essa tendência. A Nasdaq chegou a cair 3,44% na semana passada. Em todo o mês de setembro, a baixa foi de 12,68%.Apesar dos bons fundamentos internos, a Bolsa não vem mostrando sinais de reação. A taxa de juros em níveis mais baixos e o recuo da inflação não estimulam a entrada de novos recursos. Nesse ano, o Ibovespa - Índice que mede a valorização das ações de empresas mais negociadas na Bovespa - acumula uma queda de 6,80%. Uma possível melhora do cenário poderia acontecer com a elevação do rating (classificação ) da dívida brasileira. Os analistas continuam aguardando esse fato novo. Porém, os problemas básicos do mercado acionário brasileiro - cobrança de CPMF e falta de regras que beneficiem o investidor minoritário - ainda não têm data certa para serem solucionados e os investidores podem se manter retraídos, mesmo com a elevação do rating.Inflação e jurosNa quarta-feira será divulgado o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) referente ao mês de setembro. A expectativa é de que o número fique abaixo de 0,2%, comprovando mais uma vez o recuo dos índices de inflação. A tendência inflacionária é muito importante na definição da política de juros do País. Porém, no cenário atual, o mercado internacional tem apresentado influência determinante para a trajetória das taxas de juros. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a decisão de manutenção dos juros em 16,5% ao ano levou em conta principalmente a alta do preço do petróleo.A próxima avaliação da taxa básica de juros - Selic - acontece nos dias 17 e 18 de outubro. Os analistas acreditam que a inflação deve continuar dando sinais de recuo, mas a situação do cenário externo ainda será determinante na decisão do Comitê. Nesse cenário, há grandes chances de o Copom manter novamente os juros. Amanhã é a vez do banco central dos Estados Unidos (FED) definir a taxa de juros do país. Analistas brasileiros e internacionais acreditam na manutenção dos juros em 6,5% ao ano. O FED vem promovendo altas nas taxas com o objetivo de conter pressões inflacionárias e desaquecer a economia. Desde junho do ano passado, os juros já foram elevados seis vezes, passando de 4,75% ao ano para o patamar atual, de 6,5% ao ano.

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