Mercados têm muitas preocupações

Os investidores deixaram de se preocupar somente com a Argentina e agora encontram várias outras razões para manter a cautela e o nervosismo. O assunto do dia foi racionamento de energia, mas a crise política e as incertezas no país vizinho também afetaram os negócios.Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgado hoje demonstra que o crescimento da economia brasileira será significativamente menor por causa do racionamento de energia. Para um corte de 20% no fornecimento durante seis meses, a FGV espera que o PIB aumente apenas 2,5% em 2001, contra a projeção anterior de 4%. Se essa perspectiva se confirmar, a conseqüência para os mercados será resultados piores e queda nos valores das ações. Aliás, os papéis do setor elétrico já sofrem perdas. Além disso, teme-se o impacto da medida na confiança das empresas estrangeiras. Vários executivos de companhias com interesses no Brasil já manifestaram abertamente seu repúdio à falta de eletricidade, um item básico da infra-estrutura. A grande preocupação é que o investimento direto estrangeiro, que vem sustentando os enormes déficits da balança de pagamentos (que inclui juros da dívida externa), tenham uma queda maior ainda do que o esperado para os próximos anos, entre outras razões, pelo gargalo no fornecimento de energia.Crise política ganha cada vez mais destaqueNo campo político, a oposição entregou ao presidente do Senado, Jader Barbalho, o requerimento para instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias de corrupção envolvendo o Executivo federal. O governo ainda tenta reverter a CPI, mas as chances são pequenas. Agora, ambas as partes tentam fazer o melhor arranjo para os trâmites regimentais de acordo com seus interesses. E se a crise política já potencializou as rachaduras na base governista, a revolta da opinião pública com o racionamento de energia e suas conseqüências pioram ainda mais a situação.A sensação do mercado é que o risco de instabilidade institucional cresce muito com as investigações. Na pior das hipóteses, as atividades legislativas ficarão paralisado durante o processo, cujo prazo normal é de 120 dias, prorrogáveis por mais 60. Isso significa que o Congresso não deve encerrar esse capítulo, mesmo que tudo corra bem, antes da virada do ano. Como em 2002 ocorre a sucessão estadual e federal, não se espera que os congressistas retomem os trabalhos. Ou seja, no mínimo, a agenda de votações do governo Fernando Henrique fica muito restrita, se não for totalmente encerrada.Situação argentina continua indefinidaContinua o suspense em relação ao refinanciamento da dívida de curto prazo da Argentina. Os mercados ainda se ressentem da falta de um conjunto de medidas factíveis e bem coordenadas que garantam a retomada econômica do país, há 34 meses em recessão. Não será fácil reverter o ceticismo dos investidores, que exigem resultados e garantias do governo. E enquanto não for apresentado o pacote completo, incluindo os termos da reestruturação da dívida, os mercados manterão o nervosismo.Veja os números dos fechamentosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,2610, com alta de 0,71%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 21,890% ao ano, frente a 21,580% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 0,21%. O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em alta de 0,52%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,16%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 1,92%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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