Mercados têm muitos motivos para pessimismo

As incertezas em relação ao ritmo da atividade econômica mundial, principalmente nos Estados Unidos, após os atentados terroristas em 11 de setembro; o agravamento da fragilidade financeira da Argentina; e um possível rebaixamento do rating (classificação) dos papéis da dívida brasileira são as principais causas para o pessimismo dos investidores neste momento.O dólar comercial, que voltou a subir no início desta manhã, é o principal reflexo deste cenário. Às 10h33, a moeda norte-americana era vendida a R$ 2,7300 - cotação máxima do dia -, com alta de 0,85% em relação aos últimos negócios de ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com queda de 1,23%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 24,250% ao ano, frente a 24,150% ao ano ontem.O Fed - banco central norte-americano - decidiu ontem por uma redução de 0,5 ponto porcentual na taxa de juros do país - de 3,0% para 2,5% ao ano. Espera-se mais um corte nas taxas antes do final do ano, mas, de qualquer forma, isso não afasta o risco de recessão nos Estados Unidos. Os últimos números referentes ao índice de confiança do consumidor norte-americano vieram muito baixos, sinalizando que o consumo no país - responsável por dois terços da economia - pode continuar em baixa. Também para as economias de países exportadores para os Estados Unidos, este cenário indica risco de desaquecimento econômico mais forte. No caso dos países emergentes, como o Brasil, a diminuição dos investimentos diretos é outra conseqüência negativa deste cenário. Resultado: os investidores aumentam a compra de dólares como forma de segurança (hedge), pressionando as cotações; saem do mercado de ações, devido ao risco de desaquecimento forte; e pedem taxas de juros mais altas nos investimentos.Situação argentina pioraAlém do anúncio de queda na arrecadação de impostos em setembro, na comparação com mesmo período do ano passado (veja mais informações no link abaixo), a notícia do país vizinho hoje foi a declaração do ministro Domingo Cavallo de que o governo federal não tem recursos para pagar a remessa fixa mensal de US$ 1,36 bilhão às províncias.Segundo apurou o correspondente Ariel Palacios, o valor do repasse será reduzido para somente US$ 260 milhões - total de fundos destinados até o final do ano. A justificativa do ministro é de que, para cumprir a meta de déficit zero, não há outra alternativa para o governo senão cortar os recursos do repasse, dado que houve a queda na arrecadação. Com a piora do cenário no país vizinho, cresce o risco de default - leia-se calote da dívida - na Argentina e queda do ministro Cavallo. Até as eleições parlamentares, em 14 de outubro, a situação deve ficar inalterada. Depois disso, ninguém sabe o que poderá acontecer com o regime econômico no país vizinho, inclusive sobre a manutenção da paridade entre o dólar e o peso argentino.Brasil sofre conseqüênciasPara o Brasil, que é muito vulnerável a estes acontecimentos, devido à sua forte necessidade de capital estrangeiro, a situação também está piorando. De acordo com informações do correspondente Fábio Alves, o banco de investimentos J.P. Morgan afirmou em nota distribuída a clientes, hoje, que há maior probabilidade de um rebaixamento na classificação de risco soberano do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s no curto prazo.A agência fará uma teleconferência hoje, às 11h (horário de Brasília), sobre o impacto dos atentados terroristas dos EUA nos ratings de países da América Latina. De acordo com analistas do banco estrangeiro, a Standard & Poor´s deve destacar a grande necessidade de financiamento externo do Brasil no contexto de maiores riscos de deterioração do cenário internacional, incluindo aí um movimento de maior aversão a risco dos investidores. Mercados internacionaisNos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - está em queda de 0,70%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - opera com queda de 1,13%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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