Mercados têm reação inicial contida à perda da CPMF

A reação inicial do mercadofinanceiro à derrota do governo na batalha pela CPMF foicontida, diante da esperança de prudência na área fiscal mesmocom a perda de quase 40 bilhões de reais ao ano em receitas. O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo recuava2,42 por cento, aos 63.177 pontos, acompanhando o movimento dequeda observado no exterior. O dólar iniciou os negócios emalta mas passou a cair diante do fluxo de recursos, comdesvalorização de 0,17 por cento, cotado a 1,771 reais paravenda. O risco-país exibia baixa de 5 pontos-básicos, a 209pontos. Para economistas, embora a perda da CPMF seja uma notíciaruim, pesa mais para a performance do mercado brasileiro ocenário externo, onde a crise de crédito iniciada por problemasno setor imobiliário dos Estados Unidos ainda perturbainvestidores. "A CPMF pesa, mas lá fora creio que pesa mais. Mesmo quenão houvesse a notícia da CPMF, ainda estaríamos caindo pelasrepercussões de fora", afirmou o diretor da Ágora Corretora,Álvaro Bandeira. As bolsas de valores de Nova York caíam nesta quinta-feira,após a divulgação de que a inflação no atacado dos EstadosUnidos subiu bem mais que o esperado. IMPACTO FISCAL Analistas fazem as contas e, por enquanto, não prevêem"estripulias" na área fiscal do Brasil. Mesmo que o governoopte por uma redução do superávit primário --a economia feitapelo setor público para pagamento de juros--, a estimativa é deque o montante seria limitado. "O anúncio do governo sobre como vai repartir o impactofiscal entre corte de gastos, aumento de outros impostos eredução do superávit primário será o principal motor para osativos brasileiros agora", afirmou o estrategista-chefe do BNPParibas no Brasil, Alexandre Lintz. "Nós estamos otimistas, esperando que o governo reduzamuito pouco o superávit primário --em cerca de 0,3 por cento doPIB. De qualquer modo, o principal problema na estruturamacroeconômica brasileira tem sido a expansão de dois dígitosdas despesas do governo. E o fracasso na aprovação da CPMFajudará a limitar esse problema." RECEITAS VS DESPESAS Os analistas do Credit Suisse também acreditam que, apesarda possível retomada das negociações com a oposição, o governoanunciará um pacote de medidas para compensar parte da perda dereceitas. "Acreditamos que uma redução no superávit primário (ainda)manteria a relação dívida/PIB em declínio, mas o cronogramapara o grau de investimento poderia ser adiado", ponderou oCredit Suisse. Na madrugada de quinta-feira, o governo não conseguiuaprovar no Senado a prorrogação da CPMF, o chamado "imposto docheque". Ainda assim, obteve sucesso e conseguiu manter amedida que dá flexibilidade no manejo de receitas da União, aDRU --que precisa passar por mais uma votação antes de serconfirmada. Para o banco Lehman Brothers, a DRU é mais importante doque a CPMF, por permitir que o governo corte despesas. "Vinte por cento das receitas federais não estão comdestino certo, o que significa que o governo não precisaautomaticamente transferir receita para programas ou Estados.Isso permite ao governo não gastar o dinheiro", comentou oeconomista de Renda Fixa em Mercados Emergentes do Lehman, JohnH Welch. (Reportagem adicional de Daniela Machado e RodolfoBarbosa)

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