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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Mercados tensos com cenário externo

O mercado financeiro deve continuar instável hoje, principalmente em função da situação argentina, que voltou ao foco de atenção dos investidores depois do anúncio da queda de 14% na arrecadação de impostos no mês de setembro, na comparação com mesmo período do ano passada. O risco país bateu mais um recorde nesta manhã e chegou a 1766 pontos base (veja mais informações no link abaixo).De acordo com o correspondente Ariel Palacios, governadores de onze das catorze províncias controladas pelo Partido Justicialista, da oposição, anunciaram que entrarão hoje com um processo na Corte Suprema de Justiça contra o Poder Executivo. Isso porque o governo federal anunciou ontem que vai reduzir o piso de US$ 1,364 bilhão que a União envia mensalmente para as províncias. Segundo o ministro da Economia, Domingo Cavallo, as províncias receberão apenas US$ 260 milhões.A crise econômica e política na Argentina não deve piorar muito antes das eleições parlamentares marcadas para o dia 14 de outubro. Depois disso, a situação do país vizinho é totalmente imprevisível, já que a expectativa é de que a oposição ocupe a maioria dos postos no Congresso, o que tornará ainda mais difícil a aprovação de medidas para o cumprimento do déficit zero.Diante de tantas incertezas, as empresas e grandes investidores tendem a aumentar a compra de dólares como forma de proteção (hedge). O dólar comercial abriu em alta novamente nesta quinta-feira e às 10h45 era negociado a R$ 2,7360 na ponta de venda dos negócios, com alta de 0,51% em relação aos últimos negócios de ontem.O Banco Central voltou a atuar no mercado de câmbio nesta manhã. Segundo apurou a editora Cristina Canas, o Tesouro Nacional fez um leilão extraordinário, por meio do Banco Central, de um milhão de NTN-D (títulos cambiais) com vencimento em 19 de maio de 2004. Ao mesmo tempo, emitiu dois milhões desses papéis para carteira do Banco Central. As taxas de juros acompanham a pressão sobre a moeda norte-americana. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 24,600% ao ano, frente a 24,350% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com queda de 0,27%.Mercados internacionaisO Departamento de Trabalho dos Estados Unidos divulgou nesta manhã o número de pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana até 29 de setembro. O resultado foi de uma alta de 71 mil pedidos, quando a expectativa era de uma elevação de 30 mil pedidos. O resultado é mais um sinal de que a confiança do consumidor norte-americano deve continuar em baixa, assim como o consumo da população do país. O correspondente Fábio Alves apurou junto ao economista-chefe da Merrill Lynch, Bruce Steinberg, que os dados divulgados mostram que a economia dos Estados Unidos está em recessão. O Fed, o Banco Central dos Estados Unidos, vem adotando uma política de corte de juros extremamente agressiva com o objetivo de estimular a atividade econômica. Com a última redução de juros, de 3,0% para 2,5% ao ano, a taxa de juros real é muito próxima de zero, o que significa um forte estímulo ao consumo. Além disso, o Congresso norte-americano poderá aprovar novas medidas de redução de impostos para cidadãos e empresas.Alguns analistas acreditam que isso não será suficiente para que a confiança do consumidor melhore, já que ela foi fortemente abalada depois dos atentados terroristas ao país em 11 de setembro. Vale destacar que o consumo norte-americano é responsável por dois terços da economia do país. Além disso, os EUA importam aproximadamente 70% de toda a produção mundial. Isso significa que o cenário econômico nos Estados Unidos tem grande influência sobre as perspectivas econômica de muitos países.Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - opera com queda de 0,33%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - está em alta de 0,10%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

04 de outubro de 2001 | 10h47

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