Mercados tensos: dólar chega a R$ 2,1970

O dólar comercial para venda fechou em R$ 2,1960, com alta de 1,90%, a cotação mais alta desde o lançamento do real. A máxima do dia foi atingida pouco antes do fechamento, ficando em R$ 2,1970. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 21,400% ao ano, frente a 19,900% ao ano na última quinta-feira (12). E a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 3,51%. A razão do pânico de hoje é uma expectativa de alta da Selic, a taxa básica referencial da economia, na próxima reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para quarta-feira. A Selic está atualmente em 15,75% ao ano. As altas cotações por que o dólar vem sendo negociado nos últimos meses estão pressionando a inflação, e o impacto mais significativo, segundo analistas, deve ocorrer a partir de maio. Com isso, fica comprometida a meta de inflação do governo, o que já levava o mercado a apostar em uma alta dos juros. A instabilidade internacional, em especial as notícias da Argentina, assustaram os investidores. Anúncio argentino trouxe muita tensão A notícia do dia foi que o governo argentino envia projeto de lei amanhã para futura adoção do euro na composição de uma cesta de moedas para lastrear o peso, com participação de 50% para o dólar e 50% para o euro. Atualmente, vigora um sistema de paridade do peso apenas com o dólar. A ressalva é que o euro só passará a ser adotado quando atingir a cotação de US$ 1. Desde o lançamento da moeda em 3 de janeiro de 2000, porém, ela nunca mais ultrapassou esse nível depois de 23 de fevereiro de 2000. Os mercados, tanto argentinos quanto brasileiros, temem que uma desvalorização esteja a caminho, o que afetaria seriamente as contas do governo e das empresas, cujas dívidas estão denominadas em dólar. A interpretação é que a equipe econômica tenta fazer a transição de maneira gradual e mascarada pelo mecanismo da cesta. Mesmo assim, alguns bancos alertam para a necessidade de reformas estruturais nas contas públicas, o que não se substitui por desvalorizações cambiais. O índice Merval da Bolsa de Buenos Aires caiu 2,61%.Quedas em NY e denúncias contra Jader pioram a situação Nos Estados Unidos, parte da recuperação apresentada na semana passada foi reduzida pela apreensão com anúncios de empresas, o que colaborou para a tensão nos mercados no Brasil. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,31%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 2,64%. E denúncias veiculadas no final de semana contra o Presidente do Senado, Jader Barbalho, também ajudaram a desnortear os mercados. As acusações o ligam a José Borges, que, por sua vez, estaria envolvido em desvios de verbas da Sudam - Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia. Um possível escândalo nos altos escalões do Congresso preocuparam muito o mercado, já desestabilizado pelas notícias do dia.Veja no link abaixo a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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