Mercados tensos e pessimismo agravado

Depois de enfrentar um dia difícil ontem, os mercados operaram tensos, oscilando muito e acumulando quedas fortes nas bolsas e altas no dólar e juros. O movimento foi de vender ações e comprar dólares, com elevação nos juros, com medo de que as quedas na Bovespa e altas no câmbio prossigam, trazendo perdas ainda maiores. As causas continuam sendo as mesmas: crise argentina, conflitos no Oriente Médio, a perspectiva de saldo zero na balança comercial para o ano e, a novidade do dia, as bolsas dos EUA que voltaram a cair significativamente.Números dos fechamentos voltaram a impressionar, depois de vários dias de quedaO dólar fechou em R$ 1,9300, com alta de 1,05%, a cotação mais alta desde 25 de novembro de 1999. A moeda norte-americana chegou a ser negociada a R$ 1,9350. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,97%. E os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 16,990% ao ano, frente a 17,020% ao ano ontem.A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 5,56% e o Dow Jones - Índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,64%,. Os negócios com o petróleo bruto do tipo Brent para entrega em dezembro fecharam em queda de 0,23% em Londres, a US$ 31,36 por barril.Argentina e Oriente Médio não têm solução em vistaO próprio ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, declarou que o governo teme que o pacote de incentivos fiscais anunciado pelo governo argentino traga perda de arrecadação e não surta o efeito desejado na economia. A mesma opinião foi expressada de forma mais veemente pelo presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva. Vários analistas concordam, afirmando que o pacote vai na direção certa, mas é muito tímido e só trará efeitos a longo prazo. Mesmo assim, o governo anunciou que fechou um empréstimo com um grupo de bancos privados estrangeiros no valor de US$ 1,2 bilhões. O problema é que, com os investidores céticos em relação à Argentina, os mercados financeiros nacionais também sofrem perdas.A situação no Oriente Médio é igualmente preocupante. O medo de um agravamento da situação que desestabilize o fornecimento de petróleo tem mantido elevadas as cotações do produto. E o aumento das importações brasileiras, tanto por conta do maior preço do petróleo, como de produtos de telefonia derrubou as previsões em relação à balança comercial para o ano.Ainda há empresas norte-americanas divulgando seus balanços trimestrais. A má notícia é que, em função dos resultados das empresas, a Nasdaq voltou a cair com força, após alguns dias de recuperação. As bolsas norte-americanas não vinham tendo influência relevante nos resultados nesses dias de alta, mas quedas significativas como a de hoje pode trazer mais motivos para desânimo aos investidores.

Agencia Estado,

25 de outubro de 2000 | 18h58

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