Mercados tentam digerir más notícias

As boas surpresas da virada de ano já são passado e os mercados apresentam reversão da euforia do final de dezembro. Desde o dia 3 de janeiro, quando o dólar comercial para venda fechou o dia cotado a R$ 2,2950, a alta já é de 5,53%. Ontem a moeda norte-americana encerrou o dia a R$ 2,4220. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) também registra queda de 5,62% somente nos últimos três pregões. Os contratos corrigidos por juros também estão sendo negociados a taxas mais elevadas. As cotações estão chegando a patamares menos otimistas em função de uma série de notícias negativas nos últimos dias.Apesar do otimismo dos investidores internacionais com o Brasil, a crise argentina pressiona o mercado de câmbio. Não se esperava que ela fosse chegar ao nível de gravidade presente, e os mercados brasileiros sentem os efeitos. Os bancos devem ser reabertos hoje na Argentina, depois de 20 dias de feriado bancário. Segundo reportagem do jorna; O Estado de S. Paulo, os bancos calculam que terão US$ 15 bilhões de prejuízo, até 2007, com a passagem das dívidas de dólar para peso (veja mais informações no link abaixo).Enquanto a Argentina continua sem rumo, cresce a demanda por dólares, aumenta a inflação, o desabastecimento e a recessão agrava-se. Se isso não fosse suficiente, o presidente Eduardo Duhalde definiu o cronograma do bloqueio dos depósitos em dólar e do fim às restrições para os saques em dinheiro. A má notícia é que as liberações escalonadas vão se estender até agosto de 2003. A população, que já derrubou dois presidentes volta lentamente às ruas e ontem já circulavam boatos de renúncia do presidente e de sua equipe.Isso não aconteceu, mas já é um sinal da fragilidade do governo. E ainda há outras medidas preocupantes, a principal sendo a falta de recursos para cobrir as diversas isenções propostas. As dívidas até US$ 100 mil, por exemplo, foram convertidas a P$ 1 por dólar, gerando um passivo no sistema bancário que ninguém sabe como cobrir. Além disso, no Brasil, o mercado revê a previsão de queda da Selic - taxa básica referencial de juros da economia -, atualmente em 19% ao ano. Falava-se em corte significativo no curto prazo, possivelmente já na próxima reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 22 e 23. Mas a alta acima do previsto do Índice Geral de Preços de Mercado, a modesta queda nos preços dos combustíveis e a instabilidade argentina reduziram as chances de uma atuação mais ousada do governo. Não que os investidores não acreditem mais no corte, mas a avaliação é que a intensidade será menor.Para completar, o mercado não gostou do plano para a reestruturação do setor elétrico. Acredita-se que as empresas sofrerão perdas e o investimento será menos rentável. Com isso, os papéis das empresas de energia caíram.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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