Mercados tranqüilos e ainda otimistas

O ano foi muito agitado para os mercados. Começou com previsões eufóricas, e depois caiu no pessimismo da crise argentina, em vários capítulos, crise energética, recessão nos Estados Unidos, terrorismo e guerra. Em novembro, o susto parece ter passado, e a recuperação está em curso. Como os investidores gostam: lenta, estável e tranqüila. Ainda há riscos claros, que podem alterar esse quadro, mas as oscilações, pelo menos por enquanto, têm se mantido em limites mais controlados.A última reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom) não trouxe surpresas nem sobressaltos. Os mercados não reagiram à manutenção da Selic - taxa básica referencial de juros da economia -, mas esperam um corte na Selic nas próximas reuniões mensais. Acredita-se que a pressão exercida pela alta do dólar nas taxas de inflação está se esgotando, mas vale lembrar que a inflação projetada para o ano que vem já está muito próxima do limite máximo da meta.Além disso, o governo abrandou o racionamento de energia, o que chega com um suspiro de alívio. O mercado, que chegou a temer efeitos catastróficos da crise energética, comemora os resultados, especialmente a rápida reação de consumidores e empresas. Os prognósticos são positivos, mas o racionamento não acabou, os reservatórios ainda precisam encher muito para retornar a níveis seguros e as chuvas apenas começaram. E o cenário realmente melhorou nas últimas semanas. As contas externas estão equilibradas e haverá um crescimento modesto em 2001 e um pouco maior em 2002. Dada a forte desaceleração da economia mundial, não é um resultado tão ruim. Mas dependendo da profundidade da recessão e da demora na retomada do crescimento, os números podem piorar para o Brasil. O risco adicional é quanto à sucessão presidencial, que pode trazer muita insegurança e nervosismo. Embora o surgimento da candidatura mais conservadora de Roseana Sarney tenha agradado aos investidores, a campanha coincidirá com a rolagem de cerca de 98,5% dos títulos cambiais do governo com vencimento antes das eleições. A possível insegurança certamente afetará juros e câmbio.E a Argentina continua preocupando. Os investidores no Brasil temem que possa voltar a haver efeitos aqui se o país entrar em um processo muito desorganizado de mudança no sistema econômico. Isso vem sendo anunciado há meses, e está cada vez mais próximo de acontecer. Assim, no mercado, o momento é calmo, há um certo otimismo, sim, mas com cautela.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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