Mercados vão punir falta de estratégias, diz Trichet

Numa mensagem clara à Grécia e a Portugal, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean- Claude Trichet, alertou ontem que governos que não apresentarem planos convincentes de redução das dívidas públicas serão punidos pelos mercados.

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2010 | 00h00

A advertência foi dado ontem pelo francês, que indicou que os déficits podem de fato limitar a recuperação da economia.

"Mercados vão punir a falta de tais estratégias", afirmou Trichet em um discurso em Chicago, distribuído por sua Assessoria de Imprensa. Para Trichet, será essencial ainda que governos expliquem a seus cidadãos que de fato estão tentando lidar com a questão da dívida. "Governos terão de mostrar vontade real (em reduzir déficits). É mais fácil dizer do que fazer", alertou.

Os comentário de Trichet foram feitos no mesmo dia em que a agência Standard & Poor"s reduziu as notas da Grécia e de Portugal. Seu discurso foi interpretado como um recado de que não adianta tentar culpar os mercados pelos problemas.

Bode expiatório. Nos últimos meses, governos de países altamente endividados preferiram culpar especuladores e bolsas pela crise. Trichet, ontem, mandou uma mensagem oposta. "Se não demonstrarmos à população que há uma estratégia para voltar à sustentabilidade no médio prazo, então acredito que perderemos o que acredito que seja o ingrediente mais importante hoje para a recuperação, que é a confiança", disse. "É extremamente importante reduzir as dívidas. Políticas sustentáveis não vão contra a recuperação, mas jogam a favor dela."

Trichet admitiu que os buracos nas contas dos governos são resultado de políticas de apoio à economia que eram necessárias para evitar uma depressão mundial. Mas insistiu que os déficits terão de ser ajustados.

O francês ainda falou da necessidade de reformar o sistema financeiro internacional para torná-lo mais resistente a eventuais choques, numa menção aos esforços de reformar leis de operação de bancos. Para Trichet, os líderes mundiais devem ter a consciência de que não podem deixar a economia cair numa nova crise, já que não contariam com o apoio popular para usar imensos recursos públicos para salvar bancos e setores inteiros da economia.

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