Mercados voláteis à espera do Copom

Em meio à crise de confiança nos mercados internacionais, os investidores brasileiros ainda esperam uma piora do candidato presidencial de sua preferência, José Serra, do PSDB, na pesquisa que será divulgada hoje pelo Ibope. Com isso, a manhã foi marcada por intensa volatilidade na Bolsa, em linha com a trajetória dos mercados norte-americanos e europeus. O dólar também oscilou, mas sempre em alta, enquanto os juros sofreram leve alta. Poucos analistas ainda esperam que o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncie amanhã um corte na Selic, a taxa básica referencial de juros da economia, atualmente em 18,5% ao ano.As atenções do mercado brasileiro continua centrada principalmente na sucessão presidencial e nas mesas de negócios, é dado como certo novo crescimento de Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, na última pesquisa de intenções de voto do Ibope, cuja divulgação está prevista para hoje à noite. Os números que mais se ouvem nos boatos apontam para uma diferença entre 4 e 8 pontos porcentuais para Ciro em relação ao candidato do governo, José Serra, que cairia para o terceiro lugar. O deputado do PTB Roberto Jefferson, que apóia Ciro Gomes, disse que a pesquisa do Ibope vai mostrar que nas simulações de segundo turno Ciro vence Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. "Ciro foi informado ontem à noite pelo próprio Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope", disse Jefferson. Há ainda expectativa em relação ao resultado da pesquisa do Instituto Vox Populi, encomendada pelo jornal Correio Braziliense, e que deve ser divulgada esta semana.Nos Estados Unidos, o aguardado pronunciamento semestral do presidente do Fed, Alan Greenspan, não trouxe nenhuma revelação surpreendente, capaz de reverter a crise de confiança no mercado acionário norte-americano, mas também não trouxe nenhuma notícia negativa. "Foi um pronunciamento neutro", disse um analista. O todo poderoso do Fed disse que manterá a taxa de juros baixa até que a economia ganhe força, mas alertou que a retomada da atividade será lenta e que os investimentos das empresas vão se recuperar, porém gradualmente. Greenspan, aparentemente descartou a possibilidade de dar um estímulo adicional para a economia, ou seja, um corte nos juros.Sobre a recente desvalorização do dólar frente ao euro, que continuou esta manhã, Greenspan restringiu-se a alertar aqueles que apostam no enfraquecimento da moeda norte-americana, sem maiores explicações. A exemplo do presidente George Bush e de outras autoridadades dos EUA, ele também atacou a ganância dos empresários e disse que haverá duras penalidades para condutas erradas. As bolsas em NY operavam sem tendência definida no início da tarde. O Nasdaq subia 1,18% enquanto o Dow Jones recuava 0,74%.Em um primeiro momento, os investidores reagiram negativamente às observações de Greenspan, com decepções sobre o fato de o presidente do Fed não ter falado que as ações estavam subvalorizadas. Mas o fato de Greenspan ter chamado atenção para a solidez dos fundamentos da economia, que cresce acima do esperado, e não para a queda das ações fez com que alguns investidores acabassem aproveitando a oportunidade para pescar papéis com preços atraentes. As compras, no entanto, não foram eufóricas.Às 15h, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - apresenta queda de 0,97% (a 8555,5 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -cai 0,23% (a 1385,83 pontos). O euro é negociado a US$ 1,0074; uma alta de 0,28%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, em alta de 0,14% (362,49 pontos). Com tantas preocupações, o mercado não está muito empolgado com a reunião do Copom, que começou hoje e anuncia amanhã sua decisão. Com a taxa de câmbio pressionada, em R$ 2,87, risco país elevado, acima de 1.500 pontos-base, e um quadro externo ruim, o mercado acredita que praticamente não há espaço para o Copom reduzir a taxa Selic.MercadosO dólar comercial estava sendo vendido a R$ 2,8750; em alta de 0,81% em relação às últimas operações de ontem. Ao longo do dia, o valor mínimo negociado foi de R$ 2,8570 e o máximo de R$ 2,8830. Com o resultado apurado agora, o dólar acumula uma alta de 24,14% no ano e 1,95% em julho.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagavam taxas de 23,260% ao ano, frente a 22,750% ao ano ontem. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 apresentam taxas de 26,650% ao ano, frente a 26,300% ao ano negociados ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em queda de 0,30% em 10601 pontos e volume de negócios de cerca de 245 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 21,95% em 2002 e 4,87% só em julho. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, 12 apresentavam altas. O principal destaque são os papéis da Tele Centro Oeste Celular PN (preferenciais, sem direito a voto), com queda de 5,41% e Tele Celular Sul PN, com queda de 4,28%. E não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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