Mercados voltam a oscilar com segundo turno

Dólar em alta e Bolsa em queda, com volumes de negócios muito baixos, num movimento que teve como ponto de partida a confirmação pelas urnas de segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL) e José Serra (PSDB/PMDB). O pessimismo foi sendo ampliada com a persistente fragilidade das bolsas norte-americanas e o vencimento próximo de grande volume de títulos cambiais.Desde quinta-feira da semana passada, os investidores já vinham apostando na realização de segundo turno entre Lula e Serra. Como não houve surpresas, o mercado aproveitou para embolsar lucros. Diante da indefinição eleitoral, o mercado se prepara para uma novo período de altas e baixas, oscilando ao sabor de resultados de pesquisas eleitorais e dos debates entre os dois presidenciáveis. O horário eleitoral gratuito começa a partir da sexta-feira e vai até dia 25, antevéspera da eleição. Além de ficar novamente a mercê de pesquisas e boatos, o mercado deverá ainda ser influenciado por notícias sobre as alianças políticas. A partir de agora, os governadores eleitos e os candidatos a presidente derrotados vão decidir se sobem no palanque do PT ou do candidato do governo.Nesse sentido, havia forte expectativa esta manhã em torno da decisão de Anthony Garotinho, do PSB. A primeira declaração de Garotinho sinalizou que o apoio ao PT não é uma questão fechada, apesar da vitória de sua mulher, Rosinha, ao governo do Rio. Garotinho condicionou seu apoio ao rompimento com as "alianças de direita" feitas por Lula para chegar à liderança, trazendo muitas incertezas sobre a política econômica de um eventual governo do PT.Apesar de Serra ter conquistado uma votação maior do que a apontada pelas pesquisas de opinião, contribuindo para as esperanças de vitória, o mercado pondera que o candidato tucano terá uma campanha difícil pela frente e que Lula continua com grandes chances de ser o vencedor da corrida presidencial. "O Serra tem que conquistar cerca de 4 milhões de voto por semana até a data do segundo turno", destacou o economista para América Latina do banco Bear Stearns, Emy Shayo, ao correspondente em Nova York, Fábio Alves.A preocupação no mercado de câmbio são os vencimentos cambiais deste fim de ano. O que mais deve pesar nas cotações é o do dia 17, quando uma dívida pública de US$ 3,6 bilhões deverá ser, pelo menos parcialmente, honrada pelo governo. E o mercado já mostrou que a rolagem desses compromissos, ainda que parcial, não será fácil. Na sexta-feira, a autoridade monetária tentou um leilão, mas não aceitou nenhuma das propostas das instituições financeiras, ficando assim frustrada a primeira tentativa de rolagem desse do vencimento do dia 17. Para os investidores que têm esses contratos, interessa um dólar alto.Além disso, os especialistas dizem que os compromissos que as empresas têm para honrar no exterior daqui ao final do mês já estão gerando uma demanda adicional no mercado à vista. Pelos números do mercado, os vencimentos privados são de mais de US$ 2 bilhões no mês, sendo a maior parte concentrada nos 20 últimos dias.O cenário externo também continua inibindo qualquer tentativa mais consistente de recuperação dos mercados. As bolsas norte-americanas abriram o pregão mostrando novamente fraqueza. Os investidores seguem apreensivos com a nova safra de balanços que será apresentada pelas empresas, com o impacto da greve nos portos da Costa Oeste dos EUA e com possibilidade de guerra contra o Iraque. Há pouco, Nasdaq recuava 0,06% enquanto o Dow Jones avançava 0,50%. Há forte expectativa com o pronunciamento de hoje à noite, às 9 horas, do presidente George W. Bush sobre o Iraque.Mercados Às 15h, o dólar comercial era vendido a R$ 3,7250, em alta de 2,90% em relação às últimas operações de segunda-feira, oscilando entre R$ 3,6500 e R$ 3,7350. Com esse resultado, o dólar acumula uma alta de 60,84% no ano e 17,88% nos últimos 30 dias.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagavam taxas de 20,380% ao ano, frente a 20,520% ao ano segunda-feira. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 25,750% ao ano, frente a 26,150% ao ano negociados segunda-feira.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operava em queda de 3,69% em 8916 pontos e volume de negócios de R$ 153 milhões. Com esse resultado, a Bolsa acumula uma baixa de 34,33% em 2002 e 8,25% nos últimos 30 dias. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, cinco apresentam altas. Mercados internacionais Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - operava praticamente estável em queda de 0,02% (a 7526,9 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - cai 0,48% (a 1134,46 pontos). O euro era negociado a US$ 0,9814; uma alta de 0,20%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, estava em baixa de 0,17% (410,13 pontos). 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