Mercedes adota o sistema de coleta dos leiteiros

Sem espaço para estocar, fabricante de caminhões passa a recolher nos fornecedores as peças que serão usadas no dia

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2010 | 00h00

Empresas de caminhões e ônibus também recorrem à criatividade para ampliar a produção em espaços limitados. Quando foi inaugurada, há 54 anos, a Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP) era rodeada por um brejo. Hoje, se espreme entre o bairro da Pauliceia e a avenida Anchieta, que liga São Paulo ao litoral. Nos últimos anos, a maior fabricante de veículos pesados do País ampliou a capacidade produtiva anual de 40 mil para 65 mil unidades "sem mexer muito nas instalações", diz o chefe de operações Ronald Linsmayer.

O novo desafio é elevar esse número em 10 mil unidades em 2011, o que será feito basicamente com a compra de equipamentos. A empresa obteve empréstimo de R$ 1,2 bilhão do BNDES para essa ampliação.

Ao usar áreas de estoque para abrigar novas máquinas, a Mercedes adotou uma estratégia para não faltar peças. "Usamos um processo chamado de milk run (distribuição de leite), em que nossos caminhões passam em diversos fornecedores para recolher peças que usaremos no dia", conta Linsmayer. "Há alguns anos tínhamos estoque para 15 dias; hoje, é para três horas."

Outra medida é a transferência, em 2011, da produção do caminhão Acello para a fábrica de Juiz de Fora (MG), onde também será feito o luxuoso Actros. Concebida há 12 anos para produzir o Classe A, a filial sempre operou com ociosidade ante o fracasso do produto. No ABC, a Mercedes concentra a produção de caminhões, ônibus, motores, câmbio e eixos. Na Alemanha, há uma fábrica para cada item.

Embora pertença à leva das novatas, a MAN/Volkswagen, fabricante de caminhões e ônibus em Resende (RJ), já recorreu ao puxadinho - um galpão extra para montagem de cabines. A fábrica foi inaugurada há 13 anos para produzir 70 veículos por dia, em um turno. Hoje, está próxima de atingir 300 unidades em três turnos apenas com uma pequena ampliação, diz o presidente da empresa, Roberto Cortes.

Precursora do sistema de produção modular, com fornecedores dentro da fábrica, a MAN recentemente teve de transferir para fora das instalações uma das cinco empresas que atuava na montagem final. Agora, prepara uma área externa para receber outros fornecedores. "Já temos três adesões", informa Cortes. São as empresas Randon, Arvin Meritor e Maxion. Elas já operam no sistema modular, mas abrirão novas unidades.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.