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Mercedes-Benz confirma demissões no ABC e diz que PPE é insuficiente

Empresa afirma ter 2 mil trabalhadores em excesso nas suas fábricas; intenção do sindicato era que a montadora aderisse ao PPE para evitar demissões

Álvaro Campos e Mário Braga , O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2015 | 10h18

Atualizado às 12h28

SÃO PAULO - A montadora Mercedes-Benz confirmou que deve iniciar a partir de 1º de setembro um processo de demissões nas suas fábricas no ABC Paulista, conforme o sindicato dos metalúrgicos já tinha antecipado. Segundo a companhia, o Plano de Proteção ao Emprego (PPE), criado recentemente pelo governo federal é, "insuficiente".

"A Mercedes-Benz do Brasil discutiu intensamente com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo nos últimos dois dias, buscando formas de solução que viabilizassem a adoção do PPE e de outras medidas para evitar demissões na fábrica", diz a empresa em nota enviada ao Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado.

"O sindicato não concordou com a proposta da empresa e adiantou que, em razão da decisão da assembleia realizada no último sábado, a mesma não será apresentada aos colaboradores. Diante desse impasse e na ausência de qualquer outra alternativa, a empresa oficializará as demissões na unidade do ABC Paulista", escreve a direção da montadora.

A empresa diz que, desde 2014, vem gerenciado o excesso de funcionários, que tem um custo elevado, e que a ociosidade atual é de quase 50%. Além disso, a Mercedes-Benz cita as expectativas negativas para o mercado automotivo em função do quadro de recessão econômica.

A expectativa do sindicato era que a empresa aderisse ao PPE para evitar demissões. O plano do governo federal estabelece em até 30% a redução da jornada de trabalho e dos salários, sendo que o trabalhador recebe 15% de compensação da diferença de renda com recursos provenientes do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). A proposta levada aos trabalhadores por parte da montadora era de diminuição da jornada de trabalho em 20%, com redução salarial de 10%, além da reduzir os reajustes salariais pelo INPC e congelar a evolução salarial para o ano que vem.

Ainda de acordo com o sindicato, a companhia alega ter quase 2 mil funcionários em excesso, muitos dos quais estão em licença remunerada e deveriam voltar ao trabalho na próxima semana. "Se a empresa concretizar as demissões anunciadas, vamos imediatamente iniciar um processo de luta", afirma Sérgio Nobre, diretor do sindicato dos metalúrgicos do ABC, em nota.

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