Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Mercedes-Benz contrata 150 funcionários para fábrica em Minas Gerais

Montadora alemã anunciou contratação de trabalhadores para fábrica de Juiz de Fora em Minas Gerais nesta terça-feira

André Ítalo Rocha, enviado a Hannover, O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2018 | 11h56
Atualizado 18 Setembro 2018 | 21h49

HANNOVER- A fábrica da Mercedes-Benz em Juiz de Fora, Minas Gerais, está em processo de contratação de mais 150 funcionários, anunciou nesta terça-feira o presidente da montadora no Brasil, Philipp Schiemer, em conversa com jornalistas durante o Salão de Hannover, a maior feira de veículos comerciais do mundo. Com as vagas criadas, o número de trabalhadores na fábrica vai passar de 878 para 1.028.

Segundo Schiemer, as contratações se justificam pelo aumento da produção, de 22 caminhões para 28 caminhões por dia, impulsionado pela maior demanda do mercado. Com esse ritmo, a unidade opera em apenas um turno. Para chegar ao segundo turno, teria de subir para pelo menos 30 ou 32 caminhões por dia. No entanto, a incerteza em torno do próximo governo impede, por enquanto, esse avanço. "Estamos cautelosos por causa da eleição", disse o executivo.

No mercado externo, a Mercedes-Benz tem sido afetada pela crise na Argentina, principal destino das exportações da montadora. Lá, o mercado começou a piorar em maio. As vendas, agora, têm caído de 30% a 40%. Com isso, a participação das exportações na produção, que caminhava para algo em torno de 40%, voltou ao nível 25%, disse o executivo.

Cenário eleitoral

Philipp Schiemer, disse ainda que está preocupado com os resultados das pesquisas eleitorais para presidente. Para ele, os candidatos que lideram as intenções de voto têm falado pouco sobre como pretendem adotar uma política econômica “consistente”, enquanto aqueles que se mostram menos competitivos são mais claros em relação a isso.

"A Mercedes-Benz está há 61 anos no País e já viu muita coisa, como um regime militar e dois impeachments. O importante é que o próximo presidente traga estabilidade e uma política econômica consistente. Em relação a isso, pouco se sabe sobre os candidatos que lideram as pesquisas. Os candidatos que estão atrás têm programas mais claros. Estamos preocupados", disse o executivo, sem citar nomes, em conversa com jornalistas, durante o Salão de Hannover, a maior feira de veículos comerciais do mundo.

Com a incerteza em torno da eleição, a Mercedes-Benz, que no Brasil é uma das líderes em produção e venda de caminhões, tem pouca clareza sobre como o mercado deve se comportar no ano que vem. “Se não estivéssemos passando por uma disputa presidencial, certamente teríamos um crescimento sustentável no ano que vem, porque os juros estão baixos e a frota está envelhecida, precisando de uma renovação”, disse.

A depender da política econômica do próximo presidente, o real pode se desvalorizar ainda mais, provocando inflação e juros mais altos, alertou Schiemer. Com isso, o custo de produção sobe e a demanda por caminhões cai. “Mas eu ainda acredito que a responsabilidade vai prevalecer. Eu aprendi no Brasil que a esperança é a última que morre”, disse o executivo, que é alemão.

Na visão dele, se o próximo governo não tirar as reformais fiscais do papel, o Brasil perderá importância e credibilidade no cenário internacional, se tornando menos atrativo para investidores. “Os líderes das pesquisas são candidatos que estão nos extremos. No fundo, isso não é bom, porque dificulta a pacificação”, disse.

*O repórter viajou a convite da Anfavea, associação das montadoras instaladas no Brasil

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