Mercedes-Benz suspende contrato de 1,2 mil funcionários

Montadora recorreu ao lay-off para sua fábrica de São Bernardo do Campo durante cinco meses, a partir de julho

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2014 | 02h03

A Mercedes-Benz decidiu suspender temporariamente os contratos de 1,2 mil funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) por cinco meses a partir de 1.º de julho.

O lay-off, como é conhecido o sistema em que parte dos salários são pagos pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e parte pela empresa, estava previsto para 700 funcionários que estão em férias coletivas desde 12 de maio, mas ontem foi ampliado para mais 500 pessoas de diferentes áreas.

"Tentamos de tudo, banco de horas, férias e PDV (programa de demissão voluntária), mas tivemos de recorrer ao lay-off", informa um porta-voz da empresa. O PDV termina no dia 13 e tem como meta 2 mil adesões, numa fábrica que emprega cerca de 10 mil pessoas. A unidade do ABC está operando quatro dias por semana. Cortes de produção também foram adotados na fábrica de Juiz de fora (MG)

"Estamos recorrendo a várias medidas para manter a mão de obra qualificada na expectativa de recuperação dos mercados brasileiro e argentino", diz o porta-voz. De janeiro a maio, as vendas de todas as marcas de caminhões caíram 11,3% e as de ônibus, 12,5%.

Na quinta-feira, a Ford anunciou férias coletivas na fábrica de carros de São Bernardo de 7 a 18 de julho. As unidades de Taubaté (SP) e Camaçari (BA) já operam com cortes. O vice-presidente da Ford, Rogelio Golfarb, vê o momento como "muito preocupante". Vendas, produção e exportação estão em queda e os estoques estão altos, beirando 400 mil veículos.

A participação das vendas para frotistas, normalmente com elevados descontos, passou de 20% em janeiro para 29,7% do total vendido em maio, a mais alta dos últimos dois anos. "Significa que as vendas para os consumidores estão ainda mais fracas, apesar das promoções", diz Golfarb. Para ele, a única forma de reverter esse quadro seria a redução significativa de impostos, "o que está fora do cenário do governo neste momento".

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