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Mercedes conquista conforto de classe executiva

Para seduzir mercado chinês, montadora alemã cria assento traseiro que reclina 43,5 graus para versão do S-Class

BLOOMBERG NEWS , XANGAI, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2013 | 02h06

O diretor-presidente da Daimler, Dieter Zetsche estava no assento traseiro de um protótipo do Mercedes-Benz S-Class em 2010 quando percebeu que ele não reclinava o suficiente. Com consumidores ricos acostumados a assentos suntuosos de companhias aéreas, ele imaginou que a Mercedes precisava se aproximar desse nível de conforto em seu principal modelo.

"Os engenheiros tradicionalmente se concentram na posição do assento do motorista", disse Zetsche. "Os donos do S-Class com frequência experimentam seu carro 'da segunda fila', especialmente na China", onde os carros de luxo são geralmente guiados por motoristas profissionais.

Assim, Zetsche e seus designers criaram um assento traseiro que reclina um inédito ângulo de 43,5 graus, e estará disponível com opcional em versões do S-Class renovado apresentado na quarta-feira em evento em Hamburgo, na Alemanha.

O carro chegou num Airbus de carga da sede da Daimler em Stuttgart, em meio a fogos de artifício e escoltado por outros veículos da marca. A estreia foi acompanhada pela cantora Alicia Keys, uma orquestra de 18 membros e comida de cinco chefs estrelados pelo Michelin.

Mona Lisa. "Investimos maciçamente no S-Class", disse Zetsche na apresentação, numa fábrica da Airbus. "O S-Class é para a Mercedes o que o porto é para Hamburgo, a Mona Lisa para Leonardo da Vinci e Satisfaction para os Rolling Stones."

Para dormir no banco de trás, o assento do passageiro desliza para a frente para aumentar o espaço para a perna, e o encosto traseiro desliza para um recesso iluminado por luz ambiente. Um suporte de perna gira para frente e um descanso de pé se projeta do assento da frente.

Uma função "massagem com pedras quentes" no assento proporciona relaxamento em corridas longas. Há até um airbag especial para impedir que passageiros adormecidos escorreguem por baixo do cinto de segurança durante um acidente.

As amenidades no assento traseiro são fundamentais para reviver a marca Mercedes para chineses abonados, que respondem por mais da metade das vendas mundiais do S-Class. As vendas do carro, que sai por cerca de US$ 151 mil na China e de US$ 92.35 mil a US$ 212 mil nos Estados Unidos, são fundamentais para os resultados da Daimler. No primeiro trimestre, a margem e lucro operacional da Mercedes foi de 3,3%, ante 11,1% da Audi e 9,9% da BMW.

Com o crescimento da demanda por carros de luxo em mercados emergentes como a China e a linha S-Class se expandindo para seis modelos, incluindo a versão Pullman extra longa, "isso leva a uma lucratividade potencial para a linha que jamais tivemos anteriormente", disse Zetsche.

O Commerzbank calcula a margem de lucro do S-Class em 25%, ante 1% do A-Class, de modo que aumentar as vendas do modelo mais caro da marca teria impacto considerável nos lucros da Mercedes.

Para explorar esse potencial, a China é fundamental. A McKinsey prevê que a expansão das vendas de veículos de luxo no país será em média de 12% até 2020, superando a taxa de 8% do mercado automotivo em geral. Esse aumento colocaria as vendas de carros de luxo na China à frente das vendas semelhantes nos Estados Unidos até 2016 e igual à demanda de toda a Europa Ocidental até o fim da década, segundo um relatório de março da consultoria.

A Mercedes pretende vender mais de 500 mil do S-Class de nova geração, superando as vendas do modelo antecessor. Além do luxo no assento traseiro, a nova versão inclui seis câmeras e seis radares para aumentar a segurança, um recurso exclusivo da marca e um atrativo para compradores.

A Mercedes, que perdeu sua antiga posição de principal marca de luxo global em 2005, só conseguirá recuperar esse status "se melhorar no maior mercado - a China", disse Thomas Schiller, um sócio automotivo da consultoria Deloitte em, Munique. "O S-Class é como um embaixador da marca."

Zetsche anunciou em 2011 a meta de superar a BMW e a marca de luxo Audi da Volkswagen em vendas globais e lucro até o fim da década. As vendas de 2013 da Mercedes - 441,5 mil veículos até abril - estão atrás das vendas da Audi por 61,5 mil e da líder BMW por 70,5 mil.

Os investidores, contudo, estão vendo potencial na Mercedes para cobrir a diferença. As vendas da Daimler cresceram 13% este ano, ante as quedas de 1,4% da BMW e de 5,5% da VW. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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