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Mercedes prevê queda maior na venda de caminhão

Presidente da empresa no Brasil propõe pacto entre governo e representantes da sociedade para evitar caos maior no País

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2015 | 03h04

A queda das vendas de caminhões deve superar a casa dos 50% neste ano, acima do previsto inicialmente. O setor calculava vender 75 mil veículos – ante 137 mil em 2014 –, mas o volume pode atingir no máximo 68 mil unidades, o piro resultado para o setor em 11 anos. Sem mudanças no cenário econômico e político, 2016 deve ser ainda pior, prevê o presidente da Mercedes-Benz no Brasil, Philipp Schiemer.

“Se 2015 foi um ano de ociosidade nas fábricas, 2016 será um ano de fechamento de empresas e mais desemprego”, diz.

Em tom de desabafo, o executivo alemão, que em várias passagens já viveu mais de 15 anos no Brasil, criticou ontem a falta de liderança do governo em buscar uma alternativa para a crise. A única saída que ele vê atualmente é um pacto entre governo, partidos políticos, empresários, centrais sindicais, Congresso e Senado para buscar uma solução.

“É preciso criar uma coalizão e preparar um plano para um Brasil melhor no futuro”, sugere. “É preciso se preocupar com o País e não com cargos”.

Ele diz que é preciso fazer um diagnóstico da situação, reconhecer erros e criar uma ponte para mudanças. “Para isso, é preciso ter uma liderança com credibilidade, honesta e que seja transparente. “Hoje sabemos que infelizmente essa liderança não existe”.

O executivo considera ser difícil para a presidente Dilma Rousseff assumir esse papel em razão do seu baixo índice de aprovação pela população. “E se ela não conseguir fazer isso, algo tem de ser feito ou 2017 e 2018 também serão piores e o Brasil não vai aguentar”, afirma. “Antes visto com esperança, o País hoje é visto com muita descrença e desconfiança por parte dos investidores”.

Incompetência. A gota d’água para a revolta do executivo foi a confusão criada pelo governo federal no fim de outubro ao antecipar em um mês – de novembro para outubro – o fim do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do BNDES, com juros subsidiados à compra de bens de capital.

Dias depois do anúncio, o governo voltou atrás e reabriu o programa, mas com mudanças, como a redução do limite de financiamento para cada banco, impossibilitando a compra por parte de vários clientes que entraram com pedidos. Além disso, muitos dos financiamentos aprovados ainda não foram liberados. “Foi uma incompetência total do governo. Essa manobra só fez confusão e parou o mercado”.

Essa é a principal razão para a queda de 61% nas vendas de caminhões em novembro na comparação com o mesmo mês de 2014, informa Schiemer. Ele acredita que dezembro será ainda pior, por isso a projeção para o ano foi revista.

Nova fábrica. O executivo ressalta que “não pode ficar quieto vendo que o País está entrando num caos”. Ele diz que a Mercedes é responsável por mais de 50 mil famílias, levando em conta seus 12 mil empregados, os 20 mil da rede de revendedores e 25 mil dos fornecedores de autopeças. “Têm fornecedores e concessionários que não vão sobreviver.”

Ele afirma que a matriz do grupo na Alemanha está preocupada e será mais difícil obter investimentos futuros no País.

O plano atual, de R$ 730 milhões para o período 2015 a 2018 para as fábricas de caminhões e ônibus de São Bernardo do Campo (SP) e Juiz Fora (MG) será mantido.

A nova fábrica de automóveis de luxo que o grupo constrói em Iracemápolis (SP), com investimento de R$ 500 milhões, será inaugurada no primeiro trimestre de 2016, conforme previsto inicialmente.

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