Mercer: gestor agrega valor a fundos Ibovespa

A Mercer Investiment Consulting, especializada no acompanhamento de fundos de pensão, divulgou hoje um estudo sobre a capacidade dos gestores brasileiros de agregar valor às carteiras de renda variável e fixa. A pesquisa englobou um universo de 15 bancos nacionais e cerca de 95 carteiras administradas, no período de janeiro de 1998 a junho de 2002. Segundo Lauro Araújo, líder da Mercer, uma das conclusões foi de que, em média, os gestores agregaram valor às carteiras de renda variável atreladas ao Ibovespa.O conceito pressupõe a obtenção de resultados positivos maiores, ou de um prejuízo menor, do que o verificado pelo benchmark do fundo em determinado período. Pelos dados da consultoria, a rentabilidade média trimestral obtida pelos administradores de fundos Ibovespa foi de 3,85%, superior à média do índice no intervalo, de 2,88%. O melhor gestor alcançou resultado de 4,27% e o pior, de 2,88% (empatando com a Bolsa).Em todos os casos, a volatilidade das carteiras foi menor do que a da Bovespa, de 23,66%. Isso garantiu a todos também um resultado superior considerando o retorno/risco. O indicador foi de 0,20 no melhor gestor, 0,18 na média e 0,14 no pior, frente a 0,12 do Ibovespa.Diferente do verificado nas carteiras de Ibovespa, a pesquisa revelou que os gestores de fundos IBX não agregaram valor ao investimento, no período de janeiro de 1998 a junho de 2002. O acompanhamento mostra que a rentabilidade média trimestral das carteiras foi de 4,00%, perdendo para o IBX (4,32%). O pior resultado ficou em 3,72% e apenas o melhor administrador conseguiu bater o benchmark, com 4,79%.A volatilidade média ficou um pouco abaixo do referencial - 20,37% contra 20,66% -, mas perde na análise de retorno/risco. Neste último quesito, o resultado médio foi de 0,20, frente a 0,21 do IBX. "Nos casos em que o resultado foi positivo, fica a dúvida se foi sorte ou habilidade do gestor", comentou Lauro Araújo.Marcação reduziu média de renda fixaO estudo da Mercer mostrou, com relação às carteiras de renda fixa, que os gestores apresentaram a partir do primeiro trimestre de 2000, em média, uma "discreta capacidade de agregar valor em relação ao CDI". Entretanto, no segundo trimestre de 2002 houve um resultado negativo bastante expressivo, por conta da marcação a mercado dos títulos, conforme explicou Lauro Araújo.Segundo a pesquisa, a rentabilidade média trimestral foi de 4,98% no intervalo de janeiro de 1998 a junho de 2002, inferior ao CDI (5,00%). O melhor administrador conseguiu 5,06% no período e o pior, 4,88%. A volatilidade das carteiras só não foi menor que a do benchmark (1,41%) no caso do pior gestor, que apurou 1,48%. Com isso, a média da relação retorno/risco ficou em 3,73, superando a do referencial, de 3,54.Demanda por PGBL cresce entre pequenas e médias empresasLauro Araújo afirmou que a consultoria tem verificado entre as pequenas e médias empresas um crescimento na demanda por Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL). Segundo ele, a companhia atendeu cerca de 40 clientes desse tipo nos últimos três anos e, apenas em 2002, o número já alcança 17.O especialista acredita que, com crescimento da indústria de PGBL, o nível de abertura de informações por parte dos gestores tende a melhorar. O processo, disse, deve acompanhar a evolução dos patrimônios administrados, a exemplo do que ocorre com os grandes fundos fechados de previdência.

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