Mercosul adia entrega de oferta à UE

A assessoria do comissário europeu de comércio, Pascal Lamy, foi informada pela diplomacia brasileira de que a proposta para um acordo entre o Mercosul e a União Européia será encaminhada na próxima segunda-feira, dia 3 de março, e não mais nesta sexta-feira, dia 28 de fevereiro, conforme o previsto, segundo informações de fontes comunitárias. A explicação dada a Bruxelas é que os negociadores do Mercosul gostariam de aproveitar a sexta-feira para uma última revisão antes de entregar a "oferta melhorada", mas por enquanto, ninguém confirma de quanto será a proposta.Lamy afirmou, enquanto participava de um simpósio para empresários europeus, que a UE só fará uma segunda oferta depois de avaliar o que chegará por parte do Mercosul."Dependerá da substância que contiver a oferta do Mercosul, o fato de apresentarmos ou não uma nova proposta", respondeu Lamy, provocado sobre um possível prazo de uma resposta comunitária à oferta sul-americana.Lamy espera que as negociações entre Mercosul e UE cubram 90% do comércio intrablocos, segundo as regras da OMC, reforça. Sobre a possibilidade da oferta do Mercosul vir com uma cobertura de 80% a 85% do comércio, ele responde: "90% me parece uma porcentagem indicada... o que não é igual a 85%".A UE deu o primeiro passo nas negociações quando os blocos deveriam começar a trocar suas ofertas em julho de 2001. Na época, somente a Europa colocou uma oferta sobre a mesa na Rodada de Montevidéu. Quatro meses depois, foi a vez do Mercosul, em Bruxelas. E, segundo o roteiro de trabalho, estabelecido no Rio de Janeiro, entre os blocos, julho do ano passado, as ofertas deveriam ser trocadas hoje, 28 de fevereiro. A próxima rodade de negociação tarifária acontece em Bruxelas, entre os dias 17 e 20 de março.O que está sobre a mesaO lado europeu tem sobre a mesa uma proposta dividida em quatro categorias para o setor industrial e seis para o agrícola. Nesta área, a UE propõe desgravação tarifária (redução gradual das tarifas) de até 10 anos para produtos que não sejam considerados sensíveis.Quanto aos vinhos e bebidas destiladas, os europeus são vagos e propõem uma "desgravação gradual". Já os produtos sensíveis (azeite de oliva, carne, frango, cereais, arroz, tabaco, açúcar, produtos lácteos, frutas e hortaliças) estão previstos em uma categoria "a ser negociada", com possibilidades já sinalizadas de ampliação de cotas.Na primeira oferta, o Mercosul defendeu que o processo de liberalização do comércio interregional compreenda tanto as restrições tarifárias, como as não tarifárias, em que se incluam barreiras de todas as naturezas. Mas, a proposta não chegou a cobrir 40% do comércio entre os blocos.

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