John Stillwell/AFP
John Stillwell/AFP

Mercosul ainda é vantajoso para o Brasil, diz representante do Reino Unido

Autoridade britânica avalia que o acordo Mercosul-União Europeia será benéfico para o Brasil e que Reino Unido pode ajudar o País nos setores de saúde, energia, infraestrutura e serviços financeiros

Suzana Inhesta, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2016 | 15h04

SÃO PAULO - O enviado especial de Comércio do Reino Unido, Mark Prisk, avalia que o Mercosul é vantajoso ao Brasil mesmo que haja imperfeições. "Sair disso e tentar iniciar novas negociações em separado atrasa boas oportunidades. Há um consenso de que o Mercosul traz para o Brasil o que gostaria nos acordos, vantagens, mesmo não sendo perfeito", afirmou em entrevista exclusiva ao Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado.

Nesse sentido, a autoridade britânica avalia que o acordo Mercosul-União Europeia será benéfico para o Brasil. Ele ainda ressaltou que sua intenção não é sugerir como o Brasil deve se portar com relação ao Mercosul, mas a autoridade britânica se utilizou de um ditado popular para comentar o caso. "Mais vale um pássaro na mão, do que dois voando. Não quero de modo algum mostrar qual o caminho o Brasil deve seguir, não é meu objetivo, mas eu diria que a experiência, no geral, mostra que quando se faz parte de negociações é bom sempre voltar-se para algo que traga valor adicionado ao país", disse.

A mesma linha de pensamento ele segue para as discussões em torno da permanência do Reino Unido na União Europeia. "Ser parte da UE é muito importante e, como em qualquer relacionamento, há imperfeições. Porém, como sempre olhamos o longo prazo, seria interessante nos manter como membros do bloco", explicou.

No dia 23 de junho, os eleitores britânicos decidirão, em referendo, se o país permanecerá no bloco econômico. Hoje, o chefe da Delegação da União Europeia no Brasil, embaixador João Gomes Cravinho, disse que espera que o referendo seja favorável à manutenção do Reino Unido no bloco. "A hipótese de saída é improvável. Mas, se houver a opção pela retirada, pode ser que o país tenha uma relação com a UE parecida com o que a Suíça possui. Além disso, o mercado vai ter que explicar os termos, até porque o Reino Unido tem acesso ao Mercado Único Europeu", ressaltou o embaixador.

Corrente fraca. Prisk foi nomeado Enviado Especial de Comércio para o Brasil pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, para aprofundar o relacionamento entre os dois países. "É como se eu fosse um facilitador para encontrar as oportunidades entre Brasil e Reino Unido, mas agora pensando no longo prazo e trabalhando junto com o time da embaixada", falou.

Segundo dados do Consulado-Geral Britânico, hoje o Brasil nem integra a lista dos dez maiores mercados de exportação e importação do país europeu. Nas vendas externas britânicas, o Brasil está em 27º lugar, com fatia de 0,7% do total, e nas importações do país está na 28ª colocação, com representatividade de 0,6%. O Brasil importou 3,6 bilhões de libras do Reino Unido em 2015, sendo 2,2 bilhões de bens e 1,4 bilhão em serviços.

Na visão de Prisk, o Reino Unido pode ajudar o Brasil oferecendo seu conhecimento nos setores de saúde, energia, infraestrutura e serviços financeiros. "São áreas de forte conhecimento que temos. Por exemplo, em saúde, temos conversado com algumas autoridades locais que falam que precisam de mais conhecimento em processos de 'family care' e nós temos bastante experiência nesses negócios", declarou, destacando que a visão é sempre de longo prazo.

Ele também criticou o protecionismo que alguns países praticam. "É claro que resistências, barreiras, existem em qualquer lugar, mas elas são superadas nas negociações. O protecionismo precisa parar porque não ajuda na abertura de mercados nem na criação de empregos", afirmou.

A vinda de Prisk ao Brasil ocorre uma semana depois da visita do chefe da City of London Corporation, que gerencia e controla o distrito financeiro de Londres, Jeffrey Mountevans. Ambos não quiseram comentar sobre a situação político-econômica atual do Brasil, mas disseram que todo país enfrenta momentos difíceis. Além disso, ressaltam que o Reino Unido enxerga o Brasil no longo prazo e por isso acreditam que o País vai superar a situação atual. Mas pessoas do mercado comentam que essa atenção - não só do Reino Unido, mas de outros países - para com o Brasil seria devido aos ativos "baratos" e "atrativos".

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