Mercosul continua a ser prioridade para UE, afirma Lamy

Apesar da crise argentina e do enfraquecimento do Mercosul, a União Européia (UE) afirma que a conclusão de um acordo entre os blocos segue sendo uma prioridade de Bruxelas."Para nós, o Mercosul é uma realidade, e as negociações continuam. O que ocorre na Argentina não pode afetar o andamento desse importante acordo", afirmou o comissário de comércio da UE, Pascal Lamy.Lamy revelou que os europeus estiveram reunidos nos últimos cinco dias para reavaliar as relações com o Mercosul depois que Buenos Aires desvalorizou sua moeda."O resultado de nossa avaliação foi de que as negociações com o Mercosul permanecem como uma de nossas prioridades internacionais, e isso é um sinal político importante que estamos dando", disse Lamy, que esteve nesta quarta na sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra.O comissário europeu reconhece que a situação na Argentina é difícil e que a Europa está acompanhando "de perto" os acontecimentos no país. Lamy ainda contou que esteve em "contato direto e constante" com o governo do Brasil nos últimos dias para saber mais detalhes sobre a situação política e econômica da região.Lamy (que ocupa um cargo equivalente ao de ministro do comércio da UE) afirmou que não é de interesse nem do Brasil nem de Bruxelas que as negociações fracassem ou de que a discussão se limite a um acordo comercial apenas entre as duas partes. "O Brasil apostou no Mercosul e agora está sendo coerente. Nós também apostamos e não é hora de mudar esse princípio."Apesar de tentar dar sinal positivo para as negociações, Lamy alertou que o bloco comercial do Cone Sul ainda não apresentou uma proposta de liberalização, o que deveria ter ocorrido em meados do ano passado. "O Mercosul terá de detalhar sua proposta e seria importante que isso ocorresse nas próximas reuniões entre os blocos", afirmou.Sem poder chegar a um acordo sobre a Tarifa Externa Comum (TEC) e sobre as prioridades comerciais dos quatro países, o Mercosul não conseguiu apresentar uma proposta que os europeus considerassem satisfatória. Lamy explicou que visitará o Brasil e a Argentina nos próximos meses e que tratará do tema.Um dos temores dos europeus é de que os 15 governos nacionais do bloco e os setores privados se sintam incomodados em serem pressionados para abrir seus mercados aos produtos agrícolas do Mercosul, sem sequer conhecer quais são as ofertas que os sul-americanos estariam fazendo.Diante da crise, Lamy acredita que um tratado de livre comércio entre Bruxelas e Chile acabará sendo concluído primeiro. O comissário afirmou que uma das idéias é a de que algum tipo de entendimento seja assinado já em maio, durante a 2.ª Cimeira UE-América Latina, que ocorrerá em Madri.

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