Mercosul defende mais integração em resposta à crise

Os ministros do Mercosul reunidos nesta segunda-feira afirmaram que a resposta do mundo à crise financeira deve passar por maior integração comercial e menos protecionismo. Em comunicado após encontro extraordinário em Brasília para discutir a crise, os ministros das Relações Exteriores, da Fazenda e presidentes dos bancos centrais da região enfatizaram a necessidade de uma conclusão "satisfatória e equilibrada" para as negociações multilaterais da Rodada de Doha. "A resposta à crise é mais integração, mais comércio, menos subsídio e menos distorção", afirmou a jornalistas Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Brasil, que está com a presidência pro tempore do Mercosul. Os ministros reforçaram ainda a necessidade de uma reforma "profunda e abrangente" da arquitetura financeira internacional para criar instrumentos que permitam respostas concretas à crise. Amorim e o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, negaram que durante o evento os países tenham discutido as linhas de financiamento em gestação no Fundo Monetário Internacional para ajudar países emergentes a enfrentar dificuldades decorrentes da crise. "Esse tema não foi discutido na reunião", afirmou Amorim. Taiana foi mais categórico e afirmou que "certamente" os países da região não cogitam buscar apoio do Fundo. "O FMI é um dos responsáveis pela situação que atravessa o mundo financeiro", afirmou o ministro. CONTROVÉRSIA Outro participante da reunião, entretanto, disse o oposto. O presidente da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul, Carlos Alvarez, disse a jornalistas que foi conversado sobre a possibilidade de os países da região terem acesso facilitado a linhas de financiamento de organismos multilaterais. Essa comissão, um órgão integrado por representantes de cada país do Mercosul, tem a função de apresentar propostas à cúpula do bloco. "Se pleiteou que haveria de se exigir dos organismos multilaterais de crédito, como o FMI, facilidades estendidas às linhas de crédito que sejam muito rápidas, não demandem um processo muito burocrático e não tenham as condicionalidades que justamente levaram essas economias a políticas de ajustes, recessão e desemprego", esclareceu. O chanceler do Chile, Alejandro Foxley, defendeu que os países do G8 aumentem os aportes financeiros no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e na Comunidade Andina de Fomento (CAF) para elevar a liquidez na região. "Esperamos que o BID e a CAF possam emprestar mais rápido e em maior volume para combater o impacto social negativo desta crise", disse Foxley a jornalistas após o encontro. No próximo mês, líderes do G8 --grupo dos países mais industrializados do mundo mais a Rússia-- e de países emergentes, entre eles o Brasil, se reunirão em Washington para discutir a crise financeira global.

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