Mercosul deve atrair Chile para contrabalançar bloco

O Mercosul deve atrair a adesão do Chile, um país considerado estável política e economicamente, como membro pleno para contrabalançar o ingresso da Venezuela e da Bolívia no bloco. A idéia foi defendida nesta terça-feira pelo ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. Ele defende que os dois países são vizinhos importantes e devem fazer parte do bloco, mas não são modelos do ponto de vista político-econômico.Reis Velloso defende que os países do Mercosul devem cultivar a paciência e conviver com os contrários. Para ele, o ideal seria agregar todos os países sul-americanos em torno do bloco. Por isso, defende um esforço de diplomacia para acomodar diferentes interesses. Ainda assim, reconhece que os modelos adotados por Venezuela e Bolívia não são adequados. O ex-ministro diz que a Venezuela está "gastando a riqueza que tem" e desperdiça a oportunidade de transformar sua economia. Ele explica que o país poderia fazer como os países nórdicos e evoluir para uma "economia mais sofisticada".De forma geral, Reis Velloso diagnostica que é necessário aumentar a institucionalização do Mercosul, com maior estrutura organizacional, estimular o ingresso do Chile e consolidar a união aduaneira, deixando de lado outros aspectos, como, por exemplo, criação de uma moeda comum. "Não devemos fazer mais do que isso. Complementando, ainda, com a integração física", afirmou.Para o presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), José Botafogo Gonçalves, economicamente o bloco vai bem, mas passa por um momento político complicado. "Comercial e economicamente, o bloco está muito bem. Brasil e Argentina têm atingido níveis recordes de comércio e Paraguai e Uruguai voltaram a crescer. Há descontentamento destes dois com relação a acesso a mercados, principalmente na Argentina, mas o bloco está em um bom momento, olhando sob este ponto de vista", comentou o diplomata, citando que Venezuela e Bolívia "passam por momentos instáveis politicamente".Na avaliação da especialista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Lucia Maduro, a crise das papeleiras enfraqueceu o bloco. "O bloco não está forte no momento atual", afirma ela. A crise começou quando o governo uruguaio aprovou a construção de fábricas de celulose no Rio Uruguai, na fronteira com a Argentina. O vizinho argentino alega que sofreria impactos ambientais e levou o assunto ao Tribunal Internacional de Haia.Ela analisa que, em outros aspectos, o bloco tem evoluído bem. Cita, por exemplo, que o contencioso envolvendo a Argentina e o Brasil foi reduzido, como reflexo da melhor situação macroeconômica. Lembra, inclusive, que em 2005 se discutia fortemente a adoção do Mecanismo de Adaptação Competitiva (MAC), a partir do pleito da indústria argentina e que, na prática, o mecanismo não foi adotado.

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