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Mercosul: dólar deverá ser dispensado já em janeiro

A eliminação do dólar como moeda de transação comercial entre Brasil e Argentina pode acontecer já no início de 2008. O anúncio da "desdolarização" foi feito pelo assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Segundo ele, a medida "seguramente vai dar uma nova qualidade à relação comercial". Isto, porque, ao fazerem a troca de moedas diretamente entre os dois países, sem passar pela etapa de troca por dólares, há uma redução de custos para os exportadores dos dois países, além de desburocratizar a relação comercial. O Brasil exportou US$ 11,7 bilhões em produtos diversos para a Argentina, em 2006, e importou US$ 8 bilhões.O acerto foi feito hoje durante reunião de cerca de duas horas entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Cristina Kirchner, no Palácio do Planalto. O encontro também foi marcado por discussões na área energética, grande preocupação dos dois países. Foram discutidos desde os novos investimentos da Petrobras na Bolívia, que vão beneficiar os dois países, que compram gás boliviano, passando pela construção da hidrelétrica de Garabi, na Argentina, considerada uma prioridade, até cooperação na área nuclear.Em relação à desdolarização, Marco Aurélio Garcia destacou a complexidade da sua implementação. "A desdolarização é uma coisa importante, mas ela implica a criação de um sistema de pagamentos entre os dois países, que é um sistema complexo", declarou o assessor palaciano, que explicou que para a entrada em vigor deste processo, teve de ser criado um software específico só para organizar este sistema de pagamentos, que passa a ser diário. "A impressão que tenho é que, já no começo do próximo ano, ele (o software) comece a ser efetivamente aplicado", declarou, explicando que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está resolvendo as últimas questões técnicas.Garcia destacou que "a política de valorização cambial do Brasil" trará maior equilíbrio no comércio entre os dois países. "O presidente Lula tem muito empenho de que o comércio de Brasil e Argentina se equilibre", declarou. O real valorizado torna mais competitivo o produto argentino em relação aos brasileiros.A presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner, por sua vez, informou que acertou com o presidente Lula que Brasil e Argentina passarão a ter duas reuniões bilaterais por ano para discutir e trabalhar sobre temas de interesses das duas nações, para reforçar as relações entre os dois países além do Mercosul. A primeira reunião foi marcada para fevereiro, em Buenos Aires. Cristina ressaltou, porém, que na reunião foi destacada a necessidade de fortalecer o bloco regional para se ter maior poder nas relações internacionais. Quanto aos encontros bilaterais que ocorrerão a partir do ano que vem, informou ela, deverá ser restabelecida uma metodologia com metas, prazos e objetivos para serem alcançados. "O mais importante é que se tenha a percepção de que o processo de integração avance com resultados concretos, que possam ser verificados", afirmou.A presidente eleita explicou ainda que as reuniões entre os dois países não serão feitas entre representantes de Ministérios específicos, mas por áreas de cooperação, o que poderá envolver mais de um ministério. Segundo fonte do Palácio do Planalto, na reunião de hoje os temas foram abordados de maneira bastante genérica. Além de energia e do comércio exterior, os dois governos discutiram mecanismos de financiamento de longo prazo para a Argentina com a participação do BNDES. Marco Aurélio informou ainda que, no encontro, o presidente Lula "insistiu muito na necessidade de cooperação entre a Enarsa (petrolífera argentina) e a Petrobras, inclusive em prospecção em águas profundas". Segundo ele, "há fundadas suspeitas da parte dos geólogos de que há um manancial petrolífero que se estenda mais ao sul, mas isso é especulação, e não podemos falar senão as ações vão subir muito".Marco Aurélio minimizou a possibilidade de a maior integração Brasil e Argentina causar ciúmes nos demais países do Mercosul e também reduzir a influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez. "De maneira nenhuma, Isso é uma visão tacanha e mesquinha da política sul-americana. A política sul-americana só se beneficiará de uma boa relação de Argentina e Brasil", disse ele, enfatizando que os dois países não temem que o Mercosul saia de foco com o fortalecimento da relação bilateral. "A política brasileira e a política argentina não são movidas por temores, mas por um otimismo extraordinário", completou ele, defendendo uma "política de inclusão" de todos os países.

TÂNIA MONTEIRO FÁBIO GRANER, Agencia Estado

19 de novembro de 2007 | 21h34

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