Mercosul e Grupo Andino devem fechar acordo este ano, diz Amaral

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sergio Amaral, disse hoje que será possível concluir ainda este ano as negociações entre o Mercosul e o Grupo Andino para o fechamento de um acordo de livre comércio até o final de novembro. Segundo ele, no dia 26 de setembro, os países andinos apresentam uma resposta à proposta apresentada pelo Mercosul em relação ao prazo de degravação tarifária e a lista dos chamados produtos sensíveis, que terão prazos mais longos para chegar a tarifa zero de importação.De acordo com o ministro, dois pontos são mais delicados: a definição sobre as regras de origem e a abertura para os produtos agrícolas. Amaral acredita que a reunião que acontecerá em 7 de outubro, em Lima, no Peru, será negociadora. O ministro também anunciou a intenção do Brasil de propor ao Mercosul a negociação de um acordo de preferências tarifárias com os países do grupo Centro-Americano (Costa Rica, Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua).Amaral explicou que a idéia é fechar um acordo linear e não discutir tarifa por tarifa, como no acordo negociado com o México. A preferência tarifária concedida a esses países deverá ser maior que a concedida por eles ao Mercosul. Amaral explicou que o objetivo é aumentar o fluxo de comércio entre os blocos.EvoluçãoEle acredita que o acordo de preferência tarifária pode evoluir no futuro para um acordo de livre comércio. "Estou convencido que estamos preparando o caminho para negociações maiores, porque nós estamos expondo progressivamente o setor produtivo à concorrência externa", afirmou o ministro, lembrando dos acordos fechados com o México e com o Chile.Amaral disse que há a possibilidade também de iniciar negociações com os países do Caribe. "Ao invés de esperar a hipótese de um acordo Mercosul e União Euorpéia e o acordo da Alca, e de repente o setor produtivo brasileiro vai ser exposto a uma competição externa e maior mais repentina, estamos preparando o caminho", explicou.O ministro afirmou que o Brasil também está se preparando para a eventualidade de as negociações para a Alca caminharem para acordos setoriais e bilaterais, que depois se juntem em um único acordo. "Se não for até o final uma negociação conjunta com todos, nós não vamos estar perdendo mercado que são vizinhos a nós", disse.AlcaAmaral afirmou achar importante estimular o debate sobre a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). "O debate é muito importante, mas é preciso ser feito com base em informações e não em fantasmas", disse ele, respondendo a uma pergunta sobre o que achou do resultado do plebiscito realizado pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre a Alca, que ouviu mais de 10 milhões de pessoas em todo País. O plebiscito apurou que 98% dos que votaram são contrários ao acordo de livre comércio.O ministro anunciou que será realizado, em novembro, um seminário para discutir o efeito que o Nafta teve na indústria e no emprego no México. O debate será realizado em conjunto com as centrais sindicais. O seminário deve servir de parâmetro para as discussões sobre a Alca e poderá dar subsídios a opinião pública. "Há problemas em estar dentro e estar fora. A opinião pública precisa resolver", disse.

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