Sérgio Castro/Estadão
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Mercosul e UE devem fazer ofertas para acordo comercial ainda este ano, diz ministro

Armando Monteiro, do MDIC, diz que oferta do Mercosul está pronta e ministros europeus se reúnem ainda em novembro para decidir lado da UE; ministro afirmou que Brasil não pode insistir em protecionismo

Álvaro Campos, O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2015 | 16h31

SÃO PAULO - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Externo (MDIC), Armando Monteiro, afirmou que, em meio à nova realidade da economia global, não se pode mais insistir no protecionismo. Monteiro afirmou que espera a troca de ofertas para um acordo comercial entre Mercosul e União Europeia ainda este ano. 

"Eu defendo firmemente a ideia de que o Brasil será mais competitivo na medida em que se integre às cadeias globais de valor, inclusive revendo estruturas tarifárias", afirmou durante evento promovido pela Eurocâmaras, que reúne as câmaras de comércio dos países da UE. 

Ele disse que a oferta do Mercosul está pronta e que agora o bloco espera uma posição da UE, sendo que os ministros europeus devem se reunir no dia 27 de novembro para discutir o assunto. O ministro disse que dentro do Mercosul já foi alcançado um alto nível de entendimento, mas deixou transparecer que o bloco ainda tem divergência com os europeus em alguns pontos, em especial na área agrícola. "Os acordos acontecem quando estão maduros, não adianta querer queimar etapas. Eu acho que agora as condições estão maduras, estão postas", comentou.

O ministro apontou que, com o surgimento de mega acordos comerciais, como a Parceria Trans-Pacífico, o Brasil não pode ficar para trás. "Tanto do lado brasileiro quanto dos nossos parceiros há cada vez mais a compreensão de que o Mercosul precisa sair do isolamento. É hora de avançarmos e o Brasil tem uma posição muito firme", garantiu.

Ele tentou rebater críticas de que o Brasil perdeu o bonde da história em relação aos acordos comerciais e listou alguns avanços obtidos ao longo deste ano, incluindo um acordo para harmonização de barreiras não tarifárias com os EUA. O primeiro resultado concreto desse acordo deve ser divulgado nos próximos dias, referente à convergência regulatória dos padrões para o setor de cerâmicas.

 

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'Tanto do lado brasileiro quanto dos nossos parceiros há cada vez mais a compreensão de que o Mercosul precisa sair do isolamento' - Armando Monteiro, ministro do MDIC
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Monteiro apontou que o acordo Mercosul-UE é um passo decisivo para que o Brasil se integre de maneira mais efetiva nas correntes de comércio. Segundo ele, isso se traduz em aumento da competitividade e produtividade, decorrentes da economia de escala, elevação do fluxo de investimentos, estímulo à internacionalização das empresas brasileiras e ganhos tecnológicos. "O maior intercâmbio de bens e serviços incentivará a concorrência, com impactos positivos na qualidade e preço dos produtos, trazendo enormes benefícios para a população".

O chefe do MDIC ressaltou que ainda existem alguns setores, inclusive do empresariado, que são contra uma maior abertura da economia, mas disse que há um crescente apoio para esse processo. "Não são os governos apenas que promovem acordos. Se não houver respaldo do setor privado, não avançamos efetivamente", alertou.

Ele chegou a cobrar o comissário europeu de Investigação, Inovação e Ciência, Carlos Moedas, que estava presente no evento, que pressione sua colega, a comissária de Comércio, Cecilia Malmström, para que a troca de ofertas possa ser feita ainda este ano. Segundo ele, essa troca é o ponto de partida efetivo para a etapa final das negociações, que devem ser concluídas em 2016. "Nossa ambição é nos aproximar ao máximo de um acordo de livre comércio, avançar na eliminação de barreiras não tarifárias", afirmou.

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'Nossa ambição é nos aproximar ao máximo de um acordo de livre comércio, avançar na eliminação de barreiras não tarifárias' - Armando Monteiro, chefe do MDIC, sobre acordo entre Mercosul e UE
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Crítica. Durante o evento, o ministro ouviu fortes críticas da professora Vera Thorstensen, diretora do Centro de Comércio Global e Investimento da FGV. Ela alertou que a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês) e a Parceria Trans-Pacífico (TPP) são mortais para o Brasil. Segundo a pesquisadora, o Brasil não pode continuar tendo como prioridade nas suas relações comerciais a América Latina e a África. "Metade da América Latina já deu adeus ao Brasil ao entrar na Parceria Trans-Pacífico", comentou.

Ela apresentou um estudo que aponta que, se o Brasil firmasse acordos comerciais com a Europa e os EUA, isso poderia adicionar 1,3 ponto porcentual do PIB, considerando o período de 2016 a 2030. Em relação à necessidade de promover esse tipo de acordo, Vera afirmou que o País precisa "casar com todo mundo", embora a situação atual não seja das melhores. "É preciso embelezar um pouco a noiva", cobrou do ministro.

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