Mercosul e UE tentarão fechar acordo com Itália no comando

A Itália, um dos seis países fundadores da comunidade européia, assume a presidência rotativa da Europa a partir de amanhã. Será sua 11ª presidência da União Européia (UE), sob a qual conduzirá a conferência inter-governamental, encarregada de adotar definitivamente uma Constituição Européia. Dentro do interesse Mercosul-UE, será sob sua responsabilidade que os dois blocos tentarão um consenso para a formação de uma área de livre comércio, o que deverá acontecer durante o segundo semestre. À frente da UE, os quinze não terão um simples chefe de governo, mas Silvio Berlusconi. Considerado o magnata da mídia italiana, Berlusconi dirige a política como seu império de três principais canais privados de televisão e, enquanto presidente do Conselho de Ministros (da Itália), todos os canais públicos, além da equipe do Milan.A personalidade controvertida de Silvio Berlusconi, e conhecida na Europa como "centralizadora", deverá deixar impressa sua marca através das prioridades e do estilo de governo que irá impor. Desde já, a imunidade concedida a Berlusconi pelo Judiciário italiano para evitar uma condenação durante sua liderança (italiana), custou-lhe um artigo pesado de críticas no The Economist desta semana: "Itália, inapta a dirigir a Europa". Hoje, em passagem por Paris, defendeu ainda maior empenho europeu em gastos de defesa, setor a que se destina 1% do Produto Interno Bruto (PIB) comunitário, contra 4% do valor gasto pelos Estados Unidos.Reflexos para Mercosul e BrasilPara o Mercosul e o Brasil, a posição "personalista" de Berlusconi já teve reflexos, embora apenas de agenda. A reunião ministerial marcada para o próximo semestre, o que a princípio aconteceria em Bruxelas, está em suspenso se acontecerá na Itália. A possibilidade foi colocada sobre a mesa pelos negociadores europeus, na semana passada, em Assunção (Paraguai), durante a última rodada de negociações. Ficou de ser confirmado. Aonde e quando. Se antes ou depois da ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em setembro, Cancún (México).Os ministros sul-americanos e europeus vão traçar o novo programa de trabalho e, se as expectativas se cumprirem, o objetivo é fazer valer o acordo bi-regional a partir de 2004. Declarações neste sentido aconteceram tanto do principal negociador europeu, Karl Falkenberg, quanto do embaixador José Alfredo Graça Lima, representante do Brasil junto às comunidades européias. Porém, "somente após a ministerial, poderemos dizer qual será o real ritmo das negociações dali para frente", afirma à Agência Estado um diplomata brasileiro. O mais importante para o Mercosul é ver, na prática, o que será oferecido pelos europeus em agricultura, diz o diplomata, depois de concluída a reforma da Política Agrícola Comum (PAC), na semana passada.Desafios para Berlusconi O Mercosul não apareceu no discurso de Berlusconi, na semana passada, como constou da presidência espanhola, primeiro semestre de 2002. Na política estrangeira, as posições de Berlusconi aproximam-se, e muito, das relações pro-atlânticas com os Estados Unidos e defendem uma Europa expandida, onde incluiria Russia, Turquia ou Israel. À parte os planos futuros, é autor de gafes como "devemos estar conscientes da superioridade da nossa civilização (a ocidental)", de setembro de 2001, o que lhe causou reações negativas dos quatro cantos do planeta, incluindo de seus aliados políticos.Para a Europa, as prioridades da presidência italiana são o relançamento da economia européia, o combate à criminalidade e a imigração clandestina. Berlusconi também prometeu que "medidas de reformas européias comuns dos sistemas de previdência" avançarão e serão sustentadas pela Itália.Entretanto, o grande desafio interno do "imperador" será fazer com que os quinze aprovem a Constituição Européia. Quanto a isso, Berlusconi já declarou que a assinatura da nova Constituição Européia acontecerá em Roma, após o 1º de maio de 2004. Um detalhe: naquela data a presidência de turno da UE estará sob o comando da Irlanda.

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