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'Mercosul não é convento de freiras', diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera normais as divergências comerciais entre Brasil e Argentina. Ele se refere a mais uma discussão entre os dois países, desta vez na área têxtil. Empresários argentinos acusam os brasileiros de vender toalhas abaixo do preço de custo para desbancar os concorrentes, e já discutem uma sobretaxa para a entrada do produto naquele país.

TÂNIA MONTEIRO, Agencia Estado

17 de dezembro de 2010 | 14h12

"Divergências fazem parte do processo democrático", disse o presidente, que deu rápida entrevista após a reunião de Cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu (PR), alegando que teria que voltar logo para Brasília, para a diplomação, hoje, da presidente eleita, Dilma Rousseff.

"Mercosul não é um convento, não é um encontro de freiras. É um encontro de chefes de Estado, de países soberanos, que sempre vão ter divergências. Sempre haverá um país com interesses diferentes do outro, não tentando prejudicar o outro, mas defendendo a sua soberania e o seu interesse de desenvolver o seu País", afirmou Lula.

Segundo ele, a União Europeia há 50 anos enfrenta o mesmo problema. "O que precisamos é de ter compreensão e maturidade. Não acho que seja problema para o Mercosul ter divergência. Esta é a razão da existência dele. Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil, cada um dentro do seu tempo e necessidade, têm de defender o interesse soberano do seu país e, em conjunto, tentam fazer concessões aqui ou ali para construir o consenso comum do interesse coletivo. Tem de ser assim e é assim que será", afirmou.

Lula disse que sai da Presidência temporária do Mercosul com uma relação extraordinariamente bem sucedida entre os países. "Certamente melhor do que os Estados Unidos e a China; melhor do que Alemanha e França; melhor do que Inglaterra e Irlanda. Podem ficar certos que no Mercosul somos mais unidos e muito mais compreensivos. Divergência faz parte do processo democrático".

Vaga na ONU

Sobre a proposta de seu colega boliviano, Evo Morales, de lançá-lo candidato para a Secretaria Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Lula disse que não pleiteia a vaga e que o cargo não deve ser ocupado por um político forte e sim por um técnico. "Se virar moda os presidentes de países presidirem a ONU, daqui a pouco os Estados Unidos estarão disputando, além do Conselho de Segurança, também o controle das Nações Unidas. E aí ficará tudo mais difícil", afirmou.

"Já me dou por contente de ser presidente do Brasil. Eu não vou pendurar as chuteiras, porque sou político. Vou continuar fazendo política", disse Lula, que pouco antes de embarcar para o Brasil ainda se reuniu por 15 minutos com a presidente da Argentina, Christina Kirchner.

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