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Mercosul precisa dos parceiros menores, diz Amorim

Em seminário, ministro comenta também que, à luz da crise financeira, conclusão de Doha é imprescindível

DENISE CHRISPIM MARIN, Agencia Estado

28 de agosto de 2007 | 14h17

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, declarou nesta terça-feira no seminário Política do Comércio Exterior Brasileiro, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que a transferência de investimentos e de parcelas das cadeias produtivas do Brasil para o Uruguai e o Paraguai tornou-se imprescindível para a preservação do Mercosul. "Senão, vamos ter a fragmentação do Mercosul", alertou.  Segundo o chanceler, o bloco voltou-se para a discussão das assimetrias entre os seus membros a partir da constatação de que o Paraguai e o Uruguai não têm extraído ganhos do processo de integração nem encontrado possibilidades de desenvolvimento de seus potenciais. A solução, em seu ponto de vista, seria o rompimento da "inércia" dos mercados em relação à integração e a adoção de políticas públicas que a impulsionem. "O guarda da esquina, o funcionário da aduana e a autoridade sanitária têm de ser integracionistas", defendeu.  Amorim alertou ainda para o fato de que, no comércio do Brasil com seus sócios menores do Mercosul e com outros países vizinhos, é preciso reduzir o superávit brasileiro por meio da elevação das importações de produtos desses países. A longo prazo, insistiu ele, essa situação vai se tornar insustentável.  Questionado pela imprensa sobre essa advertência do chanceler, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, também presente ao seminário, ponderou que, nesses mesmos países vizinhos, cresceram os investimentos de empresas brasileiras e projetos de engenharia conduzidos por empreiteiras nacionais. "Não vamos inventar compras desnecessárias", arrematou. Doha  O ministro declarou também que é possível a definição de parâmetros comuns para as economias em desenvolvimento sobre a abertura do setor industrial nesta "reta final" da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).  Conforme explicou, seria difícil obter o consenso entre esses países sobre o corte das tarifas industriais a ser oferecido, por conta dos diferentes graus de desenvolvimento do setor. Mas as propostas dos diferentes grupos são compatíveis entre si e podem ser harmonizadas.  Para ele, "nunca", em outro processo de negociação da OMC, o Brasil e outras economias em desenvolvimento tiveram papel tão decisivo nas negociações como na Rodada Doha.  Uma vez mais, Amorim insistiu que, à luz da crise financeira gerada no mercado imobiliário dos Estados Unidos, a conclusão da Rodada tornou-se imprescindível. Otimista, o ministro declarou que está "absolutamente certo" da conclusão da Rodada, embora não possa oferecer nenhuma estimativa de prazo.  "Tenho a convicção de que vai fechar. Mas se será em dois meses, três meses, ou em um ano, eu não sei", afirmou.

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