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Mercosul prefere negociar Alca com europeus, diz Graça Lima

O Brasil e seus sócios do Mercosul entrarão no "momento da verdade" nas negociações com a União Européia e da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) em fevereiro de 2003, quando as ofertas de liberalização das trocas de bens estará nas duas mesas. Hoje, entretanto, ao finalizar a oitava rodada de discussões com a União Européia, o chefe da delegação do Mercosul, embaixador José Alfredo Graça Lima, deixou claro que o bloco sul-americano tende a dar preferência às negociações com os europeus que com os Estados Unidos, na Alca."O acordo com a União Européia tende a agregar mais e fortalecer o Mercosul. Essa negociação favorece a integração regional", avaliou Graça Lima, ao final da 8ª Reunião do Comitê de Negociações Birregionais União Européia-Mercosul, que concentrou-se na definição dos métodos e das modalidades das futuras discussões. "Mas o teste para ambas as negociações se dará em fevereiro, quando o Mercosul conhecerá as ofertas de abertura de mercados dos Estados Unidos e dos europeus. Será o momento da verdade."Segundo o embaixador, quanto mais integrado estiver o Mercosul, mais possibilidade haverá de ampliação do grau de abertura de mercado que a União Européia poderá oferecer. Mas, por enquanto, o que existe é apenas uma proposta modesta, na qual o Mercosul espera ver incluídos os produtos agrícolas. Do ponto de vista político, o bloco europeu deixa clara sua avaliação de que a negociação em andamento é uma oportunidade para a sedimentação e o aprofundamento dos compromissos dos quatro sócios do Mercosul.CertezaNesse ponto, o interesse da União Européia e o do novo governo brasileiro poderão convergir. O principal negociador europeu, Karl Falkenberg, afirmou hoje estar convencido de que os processos de negociação Mercosul-União Européia e de aprofundamento da integração do próprio Mercosul terão continuidade sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Graça Lima, que atualmente chefia a missão do Brasil junto à Comunidade Européia, declarou que tem "uma certeza" com relação ao novo governo. "O presidente eleito vê as negociação comerciais como oportunidades para o Brasil e o Mercosul crescerem de forma equilibrada e garantirem o acesso de seus produtos a países que contam com nichos protegidos", afirmou.Na Alca, ao contrário, as vantagens de uma oferta mais ambiciosa "não estão ao alcance das mãos", segundo Graça Lima. Ao mesmo tempo, se não há regras nessa negociação que levem à dissolução do Mercosul, tampouco há o objetivo de mantê-lo e aprofundá-lo. Outro fator mencionado pelo embaixador foi a insistência dos Estados Unidos em apresentar ofertas individualizadas para cada um dos sócios da Alca.Trata-se de um tema desagregador, para Graça Lima, e um dos principais focos de impasse nessas negociações.Nova rodadaApesar do pêndulo pender mais para as negociações com a União Européia, não se pode dizer que as discussões caminham com tranqüilidade. Depois da troca das ofertas definitivas, os dois blocos terão uma nova rodada entre os dias 17 e 21 de março, em Bruxelas.Atualmente, o impasse é alimentado pelo fato de que a União Européia quer do Mercosul a ampliação da cobertura de sua oferta para o nível ideal exigido pela Organização Mundial do Comércio (OMC), algo como 85% a 90% dos itens comercializados. Essa pressão foi reforçada na rodada que se encerrou hoje.Do outro lado, o Mercosul queixa-se que a proposta européia exclui complementamente itens agrícolas de seu interesse, embora cubra, de forma geral, os 90% dos itens exigidos pela OMC. Ao mesmo tempo, o Brasil e seus sócios exigem que os princípios básicos para a elaboração das ofertas sejam o equilíbrio e a reciprocidade - algo que significa que o Mercosul não está disposto a abrir seu mercado sem que haja real intenção da União Européia em fazer o mesmo.

Agencia Estado,

14 de novembro de 2002 | 19h44

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