Mercosul rejeita acordo entre Uruguai e EUA

O governo argentino fez a primeira advertência oficial ao Uruguai sobre sua negociação de um "Acordo Marco de Comércio e Investimentos" com os Estados Unidos. De acordo com a advertência, o Mercosul aceita um acordo desde que este não envolva os setores sensíveis, como bens industriais, propriedade intelectual e compras governamentais. A declaração foi feita pelo principal negociador argentino, o embaixador Alfredo Chiaradía, secretário de Relações Econômicas Internacionais, durante entrevista com os correspondentes estrangeiros, na quinta-feira, em Buenos Aires.Esta foi a primeira declaração da Argentina depois que o governo uruguaio iniciou formalmente suas negociações, nessa semana, em Montevidéu.Segundo Chiaradía, o Mercosul "está disposto a tolerar" um acordo entre o Uruguai e os Estados Unidos sem que o sócio deixe o bloco regional, mas não aceita que se desrespeite a política comercial conjunta adotada pelos países, baseada na Tarifa Externa Comum (TEC). "Não estamos preparados para ceder à um acordo que condicione a construção futura do Mercosul", disse Chiaradía.Na terça-feira, o Uruguai e os Estados Unidos anunciaram um Acordo Marco de Comércio de Investimentos. O Tifa (sigla em inglês) é um instrumento que os Estados Unidos utiliza para dotar os países de baixo desenvolvimento de um software básico ou bem - no caso de sócios aos que lhes concede algum tipo de prioridade -, para ir além das regras multilaterais em áreas de seu particular interesse, como propriedade intelectual.Entre os exemplos do primeiro caso, estão os Tifas com vários países africanos, ou Afeganistão e Iraque, ocupados pelas próprias forças armadas norte-americanas (assinados em 2004 e 2005, respectivamente).No segundo caso, estão os exemplos dos acordos assinados com a Associação de Países do Sudeste Asiático (Asean), área com a qual os Estados Unidos intercambia cerca de US$ 150 bilhões anuais.AcordosNos últimos sete anos, os Estados Unidos assinou cerca de 20 Tifas, os quais consistem em uma declaração de princípios básicos e o estabelecimento de um conselho bilateral que negocia depois as áreas concretas do acordo. O principal interesse norte-americano no Uruguai é ajustar as regras de copyright, patentes e comércio de serviços.Esses são os pontos mencionados pelo negociador argentino, soando como um recado direto ao presidente uruguaio Tabaré Vázquez. Segundo Chiaradía, "o Mercosul não cederia, por exemplo, no setor de serviços, onde o processo (de integração) não está completo, e inclusive nem mesmo com a União Européia", cuja negociação está sendo realizada com todo o bloco regional e não separadamente, como o Uruguai está fazendo com os Estados Unidos. Não se sabe ainda, quais são as vantagens comerciais oferecidas pelos norte-americanos aos uruguaios.O ministro de Economia uruguaio, Danilo Astori, fervoroso defensor do acordo, argumenta que seu país teria "acesso ao maior mercado do mundo e em matéria de comércio, o tamanho é fundamental". Astori declarou à imprensa local que o Tifa é um passo prévio à um futuro Tratado de Livre Comércio (TLC), o que excluiria o Uruguai definitivamente do Mercosul.

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