Miguel Schincariol|AFP
Miguel Schincariol|AFP

Mercosul tem de ser uma realidade, diz presidente eleito da Argentina

Mauricio Macri disse, em almoço com empresários brasileiros, que o bloco econômico sul-americano começou como uma boa ideia, mas depois acabou ficando paralisado

Álvaro Campos, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2015 | 15h59

SÃO PAULO - O presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, afirmou que o Mercosul começou como uma boa ideia, mas depois acabou ficando paralisado, já que ora os interesses do Brasil eram contrariados, ora os da Argentina. "O Mercosul precisa ser uma realidade, com metas e prazos", disse Macri, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde almoçou com o presidente da entidade, Paulo Skaf, e dezenas de empresários. Mais cedo, Macri esteve em Brasília, onde se reuniu com a presidente Dilma Rousseff.

"O mundo está se integrando com nossos países sem que tenhamos nos fortalecido regionalmente antes. Cometemos um enorme erro com Mercosul (ao deixar o bloco paralisado). Eu disse a Dilma que estou disposto a trabalhar para tirar o viés ideológico das relações, reforçando o intercâmbio", comentou. "Precisamos avançar com o convênio com a União Europeia, o acordo Transpacífico, o Transatlântico, todos os que aparecerem. Temos que, de uma vez por todas, assumir esse desafio", acrescentou. 

Ele comentou que, para vencer os problemas da pobreza, da exclusão, da violência e do narcotráfico, Brasil e Argentina precisam estar mais juntos do que nunca. "Brasil e Argentina juntos são invencíveis", afirmou. Macri disse ainda que deve fazer outra visita em breve ao Brasil, com uma grande delegação de autoridades e empresários, para reforçar a união entre os dois vizinhos.

O presidente eleito da Argentina reforçou a necessidade de criar empregos e incentivar o desenvolvimento, aproveitando o momento de esperança que seu país vive agora. "Nós aprendemos ao longo dos anos, com nossos erros e acertos, e estamos maduros como nunca antes para trilhar o caminho do desenvolvimento e crescimento", disse. Macri deixou claro que para isso o setor público e o privado precisam estar juntos. "Se um dos dois não funciona, o país não cresce." Ele comentou ainda que vai seguir o exemplo do Brasil de investir na melhora da qualidade da educação.

Já Skaf disse esperar que a eleição de Macri, que toma posse no dia 10, represente o começo de uma nova fase no Mercosul. "A visão de Macri é liberal, de que não é um governo que constrói um país, é o povo. De que o governo não pode ter um tamanho atrapalhe a vida da sociedade, com custos que desequilibrem as contas públicas e necessitem sempre mais impostos. É uma visão muito semelhante à nossa visão, de modernidade, seriedade, boa gestão e governança", disse Skaf, lembrando que os dois países podem incrementar bastante o comércio e investimentos bilaterais. Macri recebeu da Fiesp a condecoração do Mérito Industrial São Paulo. 

Política. Em relação à situação de Dilma, que é alvo de um pedido de impeachment aceito nesta quarta-feira pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, Skaf afirmou que algo precisa ser feito para resolver a crise política no País, que está afetando a economia, mas não disse abertamente que é favorável à saída da presidente. O presidente da Fiesp é filiado ao PMDB, partido de Cunha e do vice-presidente da República, Michel Temer.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.