Mercosul tem inimigos há séculos, diz Fidel

De impecável terno azul-marinho e elegante gravata bordeaux, além de abotoaduras, o líder cubano Fidel Castro participou da reunião de cúpula de presidentes do Mercosul sem seu tradicional uniforme verde da Revolução. Em discurso, durante a sessão de trabalho dos presidentes, "El Comandante", como é chamado pela maioria dos cubanos, alertou seus colegas sobre o perigo externo que ameaça a união do bloco: "a integração latino-americana tem inimigos há séculos! E eles não ficam felizes quando vêem uma reunião como esta". Logo, acrescentou: "e esse foi um dos motivos pelos quais eu vim aqui".Segundo o último ícone socialista mundial, "ao longo da História houve muitos que impediram estes projetos, muitos". No entanto, Fidel sustentou que o bloco possui boa saúde: "o Mercosul está mais pujante do que nunca".O presidente cubano - convidado especial desta cúpula - foi à Córdoba,a na Argentina, para presenciar a conclusão das negociações comerciais da ilha caribenha com o Mercosul. As discussões envolvem 3 mil posições alfandegárias."Achava que o (presidente Hugo) Chávez ia ser mais extenso (em seu discurso)", começou Fidel, brincando com o presidente venezuelano. O presidente cubano, autor de discursos mais prolongados do que o próprio Chávez (conhecido por falas de até sete horas de duração) fez uma auto-ironia: "afortunadamente é meu turno...não se assustem!". Castro falou 42 minutos, equivalente ao triplo do tempo utilizado pelos outros presidentes.Minutos depois do inicio do discurso, o presidente Néstor Kirchner, anfitrião da 30ª Cúpula do Mercosul, já havia acomodando-se melhor em sua cadeira, jogando o corpo para trás. Com expressão de impaciência, Kirchner fitava seu convidado especial com os olhos semicerrados."Ninguém sabia que eu vinha...nem eu mesmo!", disse rindo sobre os rumores surgidos nos dias prévios à cúpula de Córdoba.

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