Mercosul vira foro de propaganda de Chávez, diz economista

O Mercosul está se transformando em um foro de propaganda do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, segundo opinião do economista brasileiro Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real, em entrevista ao jornal argentino El Cronista. Ele lembra que a Venezuela se associou ao Mercosul, mas sua adaptação à Tarifa Externa Comum (TEC) será em 14 anos. "Não há integração econômica. É pura retórica política", qualifica Bacha. Indagado sobre como serão as relações entre a Argentina e o Brasil no novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, já que muitas empresas argentinas se queixam do comércio com o Brasil, o economista afirmou que "isso é bom porque quer dizer que sentem a concorrência".Ele diz que "há muitas empresas no Rio Grande do Sul que querem fazer investimentos importantes (na Argentina), mas vão esperar até a eleição presidencial (em outubro) passar e ver o que acontecerá com os controles de preços". Bacha avalia que "até agora, os investimentos foram especulativos, para aproveitar a expansão". Segundo ele, "ao princípio (da recuperação econômica) havia uma percepção muito negativa. Logo, a realidade se impôs: continuou o crescimento, o superávit se manteve e não há populismo fiscal que fomente a inflação. O problema são os controles. Por isso não há investimentos massivos".Sobre o pacote econômico que o governo de Lula pretende anunciar, Bacha opinou que "a própria idéia de pacote é velha, da época da inflação" e "é lamentável que o governo crie essa expectativa, em vez de melhorar o sistema tributário e regulatório, baixar o gasto, abrir os mercados". Na entrevista ao El Cronista, o economista critica que "em quatro anos, Lula não fez concessão de nenhuma rodovia". E, agora, "que superaram as objeções do Tribunal de Contas, em vez de licitar, dizem que repensarão o assunto. É lamentável porque é um momento muito favorável para crescer mais e com baixa inflação".Ele também afirmou que no dia seguinte ao anúncio das medidas, "o povo estará decepcionado porque serão muito limitadas". De acordo com o economista, "o que o governo pode fazer em matéria de desgravação tributária e investimento é pouco. Dizem que controlará o gasto, mas tomou medidas para acelerá-lo, como subir o salário mínimo e as isenções do imposto de renda. E o investimento público já não estará limitado pelo superávit primário. É péssimo". Em sua análise, "o mais importante para o Brasil é chegar ao investment grade, baixar as taxas de juros e atrair investimentos". Ainda na entrevista, ele projeta um crescimento para esse ano de 3,5% a 4% e um dólar no valor de R$ 3,15 no final de 2007.

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