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Mérito de Guedes na Previdência foi insistir numa economia maior

O debate estava adiantado na sociedade após a tentativa frustrada da gestão Michel Temer para conseguir a sua aprovação a partir do final de 2016

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2019 | 22h01

Quem acompanhou de perto a saga até a votação nesta terça-feira do texto da reforma da Previdência sabe que o caminho que pavimentou a sua aprovação não começou com o governo de Jair Bolsonaro.

O debate estava adiantado na sociedade após a tentativa frustrada da gestão Michel Temer para conseguir a sua aprovação a partir do final de 2016.

O mérito do ministro da Economia, Paulo Guedes, foi o de mudar o cardápio inicial que os seus interlocutores lhe recomendaram ainda na transição e apresentar uma nova proposta, bem mais ousada do que a de Temer e com uma economia de gastos maior.

Naquele momento, o conselho oferecido era o de que o melhor caminho para virar logo a página das medidas impopulares seria insistir na proposta de Temer, que já estava pronta para votação no plenário da Câmara, porém, desidratada a um nível de economia de gastos inferior a R$ 450 bilhões.

Guedes elevou o sarrafo para um patamar de economia de R$ 1 trilhão quando enviou o texto ao Congresso. Insistiu publicamente por meses de que queria o seu "trilhão", mesmo correndo o risco de sair perdedor com uma reforma minguada.

É muito provável que, sem o discurso do trilhão, a reforma final teria sido menor.

Nos bastidores do Congresso, o que se falava desde o início era de que a reforma sairia do Congresso com uma economia entre R$ 800 bilhões e R$ 850 bilhões. Foi o que aconteceu.

Ao elevar o sarrafo, o ministro evitou uma desidratação maior, principalmente no Senado, onde as negociações para a aprovação da reforma foram muito mais pesadas do que no "varejão" da Câmara envolvendo emendas e cargos.

O custo e o alcance do que foi prometido aos senadores ainda não está bem dimensionado. Veremos mais à frente no pacote de medidas que será lançado pela equipe de Guedes nos próximos dias.

Os erros nas negociações foram muitos, mas o maior deles foi ter vendido a ideia de que após a reforma a situação estaria melhor para o Brasil com a economia em franco crescimento. Não foi o que ocorreu. Agora, a agenda de Guedes começa para valer.

*é repórter especial do jornal O Estado de S.Paulo

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